Diminuir a morbidade e mortalidade de crianças entre dois meses a 10 anos de idade, por meio da melhoria da qualidade da atenção prestada à criança pelos profissionais de saúde da Atenção Primária. Este é objetivo da estratégia de Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), que a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) irá implantar em Manaus, nos próximos meses.
Trata-se de uma abordagem desenvolvida pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que teve início no Brasil em 1996. Caracteriza-se pela consideração simultânea e integrada do conjunto de doenças de maior prevalência na infância, ao invés de abordá-las isoladamente.
Originalmente a estratégia contempla a faixa etária de dois meses a cinco anos de idade, mas em Manaus será diferente, estendendo o atendimento até os 10 anos para evitar que esse público, que apresenta outros tipos de doenças prevalentes, fique descoberto.
“Em Manaus temos a necessidade de estender a estratégia para crianças maiores. Existem situações como queimadura, queda, problemas respiratórios e gastrointestinais que acometem essa faixa etária e os pais, na maioria das vezes, não sabem o que fazer”, aponta o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, lembrando que a estratégia foi aplicada, inicialmente, entre crianças indígenas e teve resultados positivos na redução da morbidade e mortalidade infantil, com um custo muito baixo e em curto prazo.
A nova estratégia visa identificar sinais clínicos que permitam fazer uma triagem rápida quanto à natureza da atenção requerida pela criança, como encaminhamento urgente a um hospital, tratamento ambulatorial ou orientação para cuidados e vigilância no domicílio; ampliar e qualificar as ações de atenção integral à saúde das crianças.
As condutas preconizadas pela Estratégia AIDPI incorporam as normas do Ministério da Saúde relativas à promoção, à prevenção e ao tratamento dos problemas infantis mais freqüentes. Estas estão relacionadas a situações como o aleitamento materno, promoção de alimentação saudável, crescimento e desenvolvimento infantil, imunização, desnutrição, anemia, doenças diarreicas, infecções respiratórias agudas, malária, problemas de ouvido, dor de garganta e prevenção da violência.
Uma equipe multidisciplinar é necessária para o sucesso da implantação: profissionais do nível operacional como médico e enfermeiro; docente que participa dos cursos de AIDPI; multiplicador/facilitador que atua como professor nos diversos cursos da Estratégia (Neonatal e Comunitário Materno Infantil); cofacilitador; nutricionista e farmacêutico devidamente capacitado.
Entre os pilares da AIDPI estão a educação permanente dos profissionais de saúde, no nível da Atenção Básica; reorganização e adaptação dos serviços de saúde e processos de trabalhos; e educação em saúde na família e nas comunidades.
Oficina
Uma oficina piloto para os 60 profissionais que irão atuar na implantação da estratégia está programada para acontecer entre 13 e 15 de setembro, na Escola de Enfermagem de Manaus, em Adrianópolis, zona Centro-Sul. Pediatras, enfermeiros, nutricionistas, técnicos da saúde da criança e da saúde indígena, que atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS), sedes dos Distritos de Saúde e policlínicas, irão participar do treinamento.
O evento será dividido em duas turmas. A primeira acontece nos dias 13 (7h30 às 17h) e 14 (7h30 às 12h) e a segunda nos dias 14 (14h às 17h) e 15 (7h30 às 16h). Por meio de exposições e exercícios dirigidos pelos cinco facilitadores responsáveis, os participantes irão conhecer melhor a Estratégia AIDPI e receber orientações sobre avaliação e classificação de doenças, acolhimento da família, aconselhamento para o acompanhante da criança, desenvolvimento infantil e prevenção à violência.

