“O Amazonas precisa vencer as desigualdades entre a capital e o interior do Estado, e só conseguiremos transpor essas barreiras com a construção de conhecimento”. Essa foi a conclusão apresentada pelo senador Eduardo Braga durante palestra ministrada para os membros do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos, no auditório do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia.
Para uma plateia composta por pesquisadores, empresários e autoridades civis e militares, o senador Eduardo Braga falou sobre o tema “Ciência, Tecnologia e Inovação”. Durante sua explanação, ele apresentou as iniciativas e políticas públicas desenvolvidas durante o período em que esteve no governo do estado.
“Trabalhamos a produção de conhecimento desde a educação de base, com a criação do programa Mediado Tecnológico, que é uma plataforma de ensino que permite aos estudantes do interior do Estado a terem aulas de qualidade via satélite. Esse projeto foi criado a partir da constatação de um problema social grave no Amazonas, que é a migração de jovens do interior para a capital em busca de educação”, lembrou o senador.
Eduardo Braga também destacou a criação da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, que catalisou as atividades da Universidade do Estado do Amazonas, da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas.
“Criamos um sistema de produção de conhecimento que disponibilizou números expressivos de bolsas de estudo no estado. De 2003 a 2013, o Amazonas concedeu 7.096 bolsas para a educação básica, 12.334 para a graduação, 2.610 bolsas para mestrado e 1.216 para doutorado”, informou.
Sobre o cenário nacional, o senador destacou a luta que está travando atualmente em Brasília para a elaboração do Plano Nacional de Educação. Eduardo Braga explicou que as discussões visam criar um planejamento estratégico para fomentar uma educação de qualidade para a próxima década no Brasil.
“Estamos tentando impor metas para reduzir as desigualdades regionais no Brasil. Hoje, para se ter uma ideia, apenas 9,3% da população da Amazônia têm ensino superior, contra 51,5% na região Sudeste”, revelou.
Eduardo Braga também destacou as dificuldades de se fazer ciência e produzir conhecimento no Brasil. Ele lembrou que, durante sua permanência na presidência da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Inovação do Senado, no biênio 2011-2012, ele se deparou com situações absurdas de excesso de burocracia na área científica.
“Vi pesquisadores tendo dificuldades desde receber o visto para desenvolver suas pesquisas, até na prestação de contas carregadas de burocracia. Vi pesquisadores, inclusive, tendo dificuldades de provar que eram eles mesmos, tamanha é a quantidade de documentos exigidos para se conseguir recursos para a pesquisa. Se o Brasil quiser dar um salto para sair da condição de um país agrícola e exportador de matéria-prima para uma nação tecnologicamente desenvolvida, temos que derrubar esses obstáculos para a construção e produção de conhecimento”, concluiu Eduardo Braga.

