Início Amazonas Depoimento de vigilante complica Leandro Guerreiro
Amazonas

Depoimento de vigilante complica Leandro Guerreiro

Numa série de novos depoimentos, o vigilante Francisco Augusto Vieira Magalhães contou ao juiz Hugo Levi que Leandro Guerreiro sabia que Railen Caldas Gomes, 36, morto com um tiro na cabeça dia 2 de dezembro do ano passado, dentro da Loja Word Micro, era policial. O vigilante foi o pivô da confusão que resultou no  disparo feito pelo  empreśario contra Railen. Leandro não chegou a ser preso e teve até autorização para viajar a negócios.

O juiz Hugo Levy, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, ouviu quinta-feira  testemunhas arroladas pela acusação no processo que apura a morte do policial civil  Railen Caldas Gomes, 36, morto com um tiro na cabeça dia 2 de dezembro do ano passado. Prestaram depoimento três funcionários da loja World Micro, de propriedade de Leandro Nascimento Guerreiro, acusado de ser o autor do disparo que matou o investigador.

O primento a depor foi o gerente da loja, Isaac Ferreira Sarmento, 46, que disse que Railen não se identificou como policial na hora que entrou segurando o vigilante Francisco Augusto Vieira Magalhães, 33, acusado de sacar uma arma em plena via pública.

 A auxiliar administrativo  Clícia Monteiro dos Santos, 21, basicamente confirmou o que o gerente disse, mas o segurança Francisco Augusto Vieira de Magalhães  disse outra coisa .

De acordo com ele, ao chegar a sala do gerente com a vítima, contou o  que estava ocorrendo e que uma pessoa se dizendo polícia queria a sua arma. Disse que nesse momento Leandro Guerreiro entrou na sala e perguntou o que estava ocorrendo e ele respondeu que achava que a vítima era policial.Foi  quando virou para o gerente ouviu o estampido,e que ficou surdo por alguns dias.

ENTENDA O CASO

O empresário Leandro Nascimento Guerreiro, dono da loja World Micro, mata, no final da manhã de 2 de dezembro, uma quarta-feira,  com um tiro na nuca, o policial civil Railen Caldas Gomes, lotado na Delegacia Especializada de Furtos de Veículos. O crime ocorre depois de uma discussão do investigador com um segurança do estabelecimento comercial, localizado no Boulevard Amazonas. Policiais da delegacia Homicidios se deslocam para o local do crime e para a casa do empresário, mas recebem, segundo denúncias, ordens superiores para não prendê-lo.

O DEPOIMENTO DO VIGILANTE

" Leandro apareceu e foi disparando".


PODER JUDICIÁRIO

Comarca de Manaus
Juízo de Direito da 2a Vara do Tribunal do Juri
Termo de Inquirição de Testemunha
Autos n°: 001.09.260692-0
Ação:Crime de Homicídio Doloso (art. 121, Cp)/Júri
Acusado: Leandro do Nascimento Guerreiro

TESTEMUNHA ARROLADA PELA ACUSAÇÃO


No dia 23/07/2010 10:26 am, nesta Cidade de Manaus, Capital do Estado do Amazonas, no Cartório da 2a Vara do Tribunal do Júri, onde na presente do Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito Hugo Fernandes Levy Filho, estavam presentes o Promotor de Justiça Dr. Rogério Marques Santos, o advogado de Defesa Dr. Kennedy Monteiro de Oliveira OAB/RJ 157114 e o Dr. Lino Chíxaro OAB/AM 1567, ausente o acusado. Compareceu a testemunha abaixo qualificada, tendo o MM. Juiz passado a inquiri-la, como adiante se segue, do que lavro este termo. Francisco Augusto Vieira de Magalhães, Rua Bom Jardim, 05-C, Compensa II, Fone 3625-8566, Manaus-AM, RG 1126779-8, brasileiro(a), natural de Manaus - AM, casado, com 33 anos de idade, Segurança, Portador(a) do RG 1126779-8 SSP-AM, Sabendo Ler e escrever.

Aos costumes disse trabalhar como segurança na loja do acusado, razão pela qual presta compromisso legal de dizer a verdade do que souber ou lhe for perguntado.

Inquirida sobre os fatos narrados na Denúncia diz:
"Que no dia do crime, estava trabalhando e na frente da loja havia 4 (quatro) vagas de estacionamento e Mário disse ao depoente que devido a um assalto que teve na loja há uns 20 (vinte) dias antes do fato que não deixasse ninguém estranho estacionar na frente da loja, inclusive havia uma corrente na calçada do estabelecimento e só quem a tirava era o depoente;

que o flanelinha estacionava os veículos na frente das vagas destinadas à loja, impedindo o acesso de carros de clientes e funcionários ao estacionamento;

que sempre o flanelinha bebia cachaça (corote) e no dia do fato, Mario viu um carro na frente e foi perguntar ao depoente;

que então Mário disse ao flanelinha que ia mandar prendê-lo e disse ao depoente para não deixar o flanelinha colocar carro lá;

que então o flanelinha começou a ameaçar o depoente, momento em que este desferiu dois chutes na perna do flanelinha e este se escorou no carro do policial (vítima), que estava em frente à loja;

que ia entrar na loja e o policial mostrou a carteira, e sem o depoente conseguir ver o que estava escrito, ele fechou e a colocou no bolso e apenas falou que era policial; que o policial segurou na camisa do depoente e disse:"não vai entregar a arma não-!";

que o depoente entrou na loja e sentou em sua cabine de trabalho e a vítima insistiu na entrega da arma, ocasião em que o depoente pegou sua carteira de investigador particular e mostrou para a vítima, este disse que não valia de nada e continou pedindo a arma;

que disse à vítima que não entregaria a arma, que ia entregar só para o Dr. Mário;

que na parte destinada ao atendimento ao público e o interior da loja existe uma separação, que só era permitida a entrada de funcionários, inclusive com portas de acesso;

que foi na sala do gerente, em frente a sala do Dr. Mário, todo o tempo sendo segurado pela camisa pela vítima e seguido pela mulher da
vítima, e perguntou do gerente (Isaac) onde era a sala do Dr. Mário;

que então explicou para Isaac o que estava acontecendo, dizendo que tinha uma pessoa se dizendo policial e que queria a arma;

que nesse momento, Leandro veio e perguntou ao depoente o que estava acontecendo, e o depoente respondeu que achava que a vítima era policial e que estava querendo a arma do depoente;

que a vítima não estava armada;

que tornou a virar para Sr. Isaac, ocasião em que
ouviu o barulho de estampido de um tiro, inclusive deixou o depoente surdo por alguns dias;

que foi só um tiro; que Leandro, na ocasião, estava na sala de manutenção de computadores, visto que ele fazia este trabalho na loja;

que Leandro estava usando uma luva e sempre a usava em razão da manutenção dos conectores dos aparelhos consertados ou vendidos na loja;

que viu quando a vítima, após receber o tiro, foi caindo ao chão, sendo sustentado pela parede e depois seguro pela esposa;

que o depoente então correu para a sala de Dr. Mário, dizendo a este que achava que Leandro havia matado uma pessoa;

que Dr. Mário guardou a arma do depoente em uma gaveta e começou a ligar para seus "contatos";

que a esposa da vítima foi para a rua, dizendo que iria chamar a polícia;

que logo depois chegaram vários policiais e Mário e Leandro foram embora, ficando na loja só o depoente e funcionários;

que não conhece o Major Walter Cruz; que a vítima morreu no corredor mesmo;

que não chegou a ver onde o tirou pegou no corpo da vítima;

que ainda pediu para uma funcionária ligar para o SAMU;

que foi até a sala de Dr. Mário e ficou lá esperando;

que a arma usada por Leandro não era a do depoente ". Sem mais perguntas do MM. Juiz.

Dada a palavra ao Ministério Publico, respondeu: “que não chegou a ver se Leandro apontou a arma para a mulher da vítima;

que não ouviu se Leandro falou alguma coisa com a mulher da vítima;

que a vítima mostrou para o depoente a carteira de policial apenas uma vez;

que não viu se a vítima mostrou a carteira para alguma outra pessoa dentro da loja;

que, já dentro da loja, não ouviu a vítima dizendo que era policial, o próprio depoente dizia para os funcionários que aquela pessoa era policial;

 que não viu a vítima discutindo com ninguém, nem com Isaac; que foi tudo muito rápido; que Leandro apareceu e perguntou quem era aquele rapaz e já foi disparando".

Dada a palavra a Defesa, respondeu: “que começou a trabalhar na loja por volta do dia 7 de novembro; que o depoente trabalhava em uma empresa de segurança (VIP) e terceirizada na loja de Leandro;

que Leandro disse ao depoente que antes de sua entrada na loja, havia sido vítima de um assalto, inclusive com agressões físicas de chutes na cabeça e subtração de valores em espécie no interior do estabelecimento comercial;

que não houve nenhum incidente com clientes e com o depoente; que tanto a parte de acesso dos clientes quanto de funcionários eram trancadas e só abriam com chave;

que em razão do assalto, Leandro se mostrava bastante receoso e os funcionários também estavam com medo de novos assaltos;

que a vítima ia levando o depoente pelo colarinho por dentro da loja, mas não chegou a machucá-lo;

que a vítima era um homem muito alto e forte;

que quando Leandro viu o depoente, a vítima estava segurando em seu colarinho e no momento do tiro ainda estava segurando o depoente;

que depois da pergunta de Leandro querendo saber quem era aquele rapaz, não passou um minuto até o disparo;

que quando Leandro viu o depoente e a vítima, não dava pra ver se a vítima estava armado ou não;

que na loja, não tinha nada pra vender na frente da loja, na vitrine expositora, mas no interior da loja, na parte destinada ao atendimento de clientes, havia produtos para vender;

que tiraram os produtos da vitrine por causa do assalto que havia ocorrido um tempo antes".

Nada mais havendo, mandou encerrar o presente termo que depois de lido e achado conforme vai por todo devidamente assinado. Eu ______, Ana Sonali Michiles, Escrevente Juramentada, o digitei e o subscrevo.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!