Manaus/AM – O Serviço Geológico do Brasil (CPRM), emitiu um alerta de emergência nessa quinta-feira (31), relativo a subida do Rio Negro e a cheia 2022.
Segundo o órgão, apesar da cota está subindo diariamente, as chances de que a cheia deste ano supere a do ano passado são pequenas. Em 2021, o Rio Negro atingiu a marca de 30,03 metros, a maior de todos os tempos.
Na medição atual, o nível das águas está em 27,16 metros, e segue subindo. Ainda assim, os especialistas acreditam que é provável que o rio termine o ciclo de cheia com aproximadamente 30 metros e no máximo 30,10 metros.
Nesse último caso, um novo recorde seria registrado, mas essa é apenas uma hipótese. Dois novos alertas devem ser emitidos novamente a cada 30 dias, sendo o último no dia 31 de maio.
Caso haja alguma mudança preocupante nos próximos dois meses de chuva, um quarto alerta pode ser feito.
O acompanhamento do CPRM na Amazônia acontece desde 1989 e é o mais antigo do Brasil, monitorando os municípios de Manaus, Itacoatiara e Manacapuru. Neste ano serão emitidos três alertas: o primeiro nesta quinta, o segundo no dia 30 de abril e o terceiro no dia 31 de maio. Se houver necessidade, o órgão realizará mais um anúncio em junho.
Para a pesquisadora Luna Gripp, responsável pelo sistema de alerta do Serviço Geológico, mesmo com uma grande probabilidade de ter um evento extremo, com a recorrência de 15%, é baixa a probabilidade de superar o nível do Rio que a gente observou no ano passado.
La Niña
O pesquisador Ricardo Delarosa, do Centro Gestor Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Cesipam), destacou a influência do fenômeno La Niña no comportamento das chuvas na Amazônia nos próximos três meses, favorecendo o aumento das precipitações na região.
De acordo com os pesquisadores, a probabilidade de o fenômeno permanecer o fenômeno na região é de 64%, favorecendo as precipitações na região com influências dos oceanos Atlântico e Pacífico.
A origem das anomalias térmicas nos dois oceanos vem acontecendo desde julho de 2021, com as águas do Oceano Atlântico aquecidas, com muita produção de vapor d’água, até dezembro, quando começam as chuvas.
No caso do Oceano Pacífico, a partir de julho de 2021, houve uma anomalia, condição a ser analisada, com primeiro indicativo de possibilidade de ocorrência do La niña, seguiram crescendo. As alterações demoram a se manifestar dois ou três meses depois na Amazônia, por conta da distância da região, explicou Dalarosa.
O especialista afirmou não ser possível esperar o retorno da condição de normalidade por conta do La niña, que não vai acontecer rapidamente, da mesma forma como acontece para ele se manifestar. “Isso garante que nos próximos meses, o fenômeno será sentido na região”, afirmou.
Registro das maiores cheias do Rio Negro :
2021 - 30,02 m
2012 - 29,97 m
2009 - 29,77 m
1953 - 29,69 m
2015 - 29,66 m
1976 - 29,61 m
2014 - 29,50 m
1989 - 29,42 m
2019 - 29,42 m
1922 - 29,35 m
2013 - 29,33 m

