CPI acusa Adail de cooptação e coação de testemunhas

Por Portal do Holanda

14/11/2014 20h09 — em Amazonas


O deputado estadual, Abdala Fraxe, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, e os demais membros, denunciaram, na manhã de hoje, à imprensa e à sociedade civil organizada, um esquema de cooptação e coação de testemunhas, que vem sendo praticadas supostamente pelo prefeito de Coari, Adail Pinheiro, preso em Manaus pelo crime de pedofilia.

De acordo com os parlamentares, a CPI recebeu informações de familiares de duas vítimas que estariam recebendo a oferta de uma alta quantia de dinheiro para assinar uma declaração, mudando os depoimentos prestados à Justiça Estadual e Federal, inclusive às CPI’s da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e da Câmara Federal, colocando o prefeito na condição de inocente.

“A CPI se sente na obrigação de denunciar essa prática ao poder judiciário e a toda sociedade, uma vez que isso pode acabar beneficiando a soltura do prefeito de Coari, por meio dos julgamentos dos habeas corpus já impetrados por ele, e nos prejudicando, porque as testemunhas alegam que nós, membros da CPI, estamos viabilizando recursos para elas mudarem os seus depoimentos, o que nós repudiamos veementemente”, enfatizou o presidente da comissão, ao relatar que, quando prestaram depoimentos à CPI, as duas vítimas disseram não ter onde morar e nem condições de sobrevivência em Manaus e, hoje, moram em dois apartamentos em um flat, na capital amazonense.

O deputado Luiz Castro afirmou que tem informações de outras testemunhas que estariam recebendo a oferta de dinheiro para mudar os depoimentos, sendo coagidas pelo medo da ameaça de morte. Mas, segundo ele, a CPI não compactua com esse tipo de ação e não vai se intimidar. “Ontem, comunicamos essa situação aos movimentos sociais, para que todos tomem conhecimento e nos ajudem nessa tarefa de combater a pedofilia e garantir que o processo do prefeito Adail seja julgado”, completou.

A deputada Conceição Sampaio disse que, ao receber a denúncia do esquema, a CPI estudou a situação, juntamente com a assessoria jurídica, e tomou a decisão de divulgar para a população e ao poder judiciário, pelo receio do que pode ocorrer, caso o prefeito consiga “comprar” todas as testemunhas. “Temos a certeza de que a sociedade civil organizada, que tem o poder nas mãos, que é o poder do povo, saberá agir e o judiciário irá responder, cumprindo a sua missão”, ressaltou.

Ao final, o deputado Orlando Cidade, relator da CPI, informou que pretende apresentar o relatório dos trabalhos da comissão até o final do mês de dezembro e encaminhá-lo imediatamente ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), para que possa dar continuidade às atividades iniciadas pela CPI, como o cruzamento das informações dos extratos bancários.