Uma sessão especial solicitada pelo deputado Luiz Castro (PPS) na manhã de hoje, na Assembleia Legislativa, em Homenagem ao Dia da Consciência Negra, serviu para mostrar que também nessa seara existem desavenças. Um das dez pessoas que seriam agraciadas com o Certificado de Menção Honrosa era Christian Rocha, fundador do Movimento Negro do Amazonas. Antes do início da sessão, um convidado especial, o sempre presente Alberto Jorge, presidente da Coordenação Amazônica de Religião de Matriz Africana e Ameríndia (Caarma), simplesmente vetou o nome de Christian da lista. Em conseqüência, várias pessoas que já estavam esperando a abertura da sessão, saíram em protesto.
Nos dias de segunda-feira não há sessão plenária. Poucos deputados participaram da sessão e o plenário, geralmente lotado em eventos como esses, ficou esvaziado. A atitude de Alberto Jorge colocou Luiz Castro numa saia justa, embora ele não tenha feito qualquer menção ao incidente. O grau de constrangimento e reprovação à atitude de Alberto Jorge, que é também psicólogo, pode ser percebido no discurso de pelo menos duas pessoas. Elas sustentaram que deveria ser feita uma outra sessão para homenagear Cristiam Rocha.
Num longo discurso que proferiu depois de vários oradores, Alberto Jorge, ao falar da discriminação contra os negros e os seguidores das religiões africanas, queixou-se da “intolerância religiosa” com os seus praticantes, o que acontece até hoje, segundo ele. Sobre o veto ao nome de Cristiano Rocha, houve comentários de que o motivo seria um suposto atentado contra ele, em dezembro de 2005. Conforme o noticiário, Christian Rocha, então com 25 anos, sofreu um atentado a bala, por dois motoqueiros, que o forçaram a beber um líquído estranho e, dentro de um envelope, deixaram um bilhete com a frase “preto bom, preto morto”. Ele chegou a ficar internado no Hospital João Lúcio (zona leste).
Foi o próprio Christian quem fez a denúncia, mas em janeiro de 2006, o delegado Mário César Nunes disse que o líder do Movimento Negro do Amazonas havia mentido à Polícia.
