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Com Armando doente, Bica está fora do Carnaval

 


 
A verdade sobre a Bica


 Por Mário Adolfo  

 

Este ano não vai ser igual àquele que passou.  A Bica (Banda Independente da Confraria do Armando) não sai e a decisão foi anunciada pela pedagoga Ana Cláudia Soares, filha do Armando, o patrono da banda mais famosa de Manaus.  Por telefone, Claudinha  externou sua indignação com alguns a “aproveitadores de plantão” que se anteciparam em dar a notícia da morte de se pai sem sequer saber o estado em que ele se encontrava.   

― Quem  é amigo de meu pai, freqüentador do bar e biqueiro de verdade não age dessa maneira. Respeita o momento por que estamos passando – reagiu Cláudia, repudiando àqueles que se intitulam  “donos da banda”  e passaram a enviar para as redações de jornais e-mails com  informações erradas e falando em nome daqueles que realmente sai o “pai da criança” em relação à criação da Bica.

   ― Um deles chegou a comunicar em texto enviado aos jornais que meu pai havia pedido para, sob qualquer hipótese, a banda sair. Isto não é verdade, meu pai nunca falou isso, está lutando por sua vida e jamais faria esse pedido.  Não há clima, carnaval é alegria, brincadeira, explosão de felicidade, algazarra. Como viver isso diante do quadro em que estamos enfrentando? – disse a filha do Armando, que mantém a esperança e a força de que seu pai vai sair dessa e “ano que vem a gente coloca a Bica mais bonita ainda do que ela sempre foi”, afirmou.

Cláudia advertiu ainda que “ninguém está autorizado” a  falar em nome da Bica, a não ser seus fundadores e, quase todos eles estão viajando.  Ela disse ter  certezas que eles, os verdadeiros fundadores da Bica,  vão concordar com a decisão da família de não abrir o bar e nem colocar a banda na rua. “Eles sempre tiveram muito carinho e respeito por meu pai. Sempre souberam brincar de forma sadia dentro do nosso bar. Com certeza vão apoiar nossa decisão, que, nesse momento, é a mais coerente”, afirmou a filha do Armando.

 Armando está internado no Hospital da Unimed, Nilton Lins, desde o dia 31 de dezembro, assistido por uma equipe de médicos competentes, quase todos os amigos da família, que não trem poupado esforços para trazer a saúde de Armando de volta. O bar, que funciona desde... ficou famoso não só pela Bica, mas também por servir a cerveja mais gelada, o sanduíche de pernil mais gostoso e estar encravado no coração de Manaus, entre os templos  de São Sebastião, Teatro Amazonas e na ilharga do calçadão mais famoso da cidade, o Largo de São Sebastião.

AMOR DE BICA

A Bica é a mais tradicional banda de Manaus. Foi fundada no dia 17 de janeiro de 1987, numa rodada de cerveja no bar da Praça São Sebastião, que naquela época ainda se chamava, pasmem, “Bar e Mercearia Nossa Senhora de Nazaré”.  Em plena  ditadura, o bar do português era uma espécie de república livre que reunia jornalistas,  juristas,  estudantes universitários, poetas, músicos. Artistas plásticos e outros bichos. Naquela história mesa, no i verno de 1986, estavam os músicos  Celito Chaves (que já pariu), sua mulher, a arquiteta  Heloísa Cardoso, o advogado Sérgio Litaiff, que, inclusive, sugeriu o nome da banda. Numa segunda mesa, mais ao lado, estava os jornalistas Diocleciano Souza, Mário Adolfo, Inácio Oliveira,  o escritor Simão Pessoa, o psiquiatra Rogelio Casado,   e os fotógrafos Carlos Dias e Isaac Amorim.  Nas assinaturas colhidas por Heloísa, que preenchem as primeiras páginas do “Livro de Ouro” da Bica, aparecem ainda como “testemunhas da história”, Glória Mona,  Orlando Farias , Américo Madrugada, Mário Jorge Buriti, Aldemar Bonates, Eduardo Gomes, o advogado Aristófanes de Castro, Amercy  Souza e Minos Adão. Com o passar do tempo, a banda passo a ser administrada pelo juiz Jomar Martins, o Procurador Geral de Justiça, Francisco Cruz, Anchieta,  Manoelzinho Batera e o jornalista Diocleciano.

De cara, em seu 2º Art., o estatuto da Bica, escrito a oito mãos, avisava: “A Bica propõe-se ao extravasamento sadio, sarcástico e bem humorado de seus componentes”.  Naquela  mesma noite ficou estabelecido que a fantasia  original da banda fosse camiseta, cueca samba-canção e sapato de couro com meia. O primeiro estandarte,  expondo a figura de uma mortadela, uma cebola e uma cueca foi desenhado pelo famoso artista plástico  Manoel Borges (que também já partiu), que só aparecia no bar para devorar um sanduba de pernil, batizado pelo jornal de humor Candiru s de chease-porco. Aliás, o jornal nanico foi lançado por Mário Adolfo e  Simão Pessoa também em  1987, no próprio bar do Armando.

A primeira marchinha da banda, composta por Celito e Toscano, dizia assim “ A banda independente e confraria do Armando/ tá  todo mundo dando/ tá todo mundo dando/ Dando alegria para esse pessoa/ que quer  fazer o verdadeiro carnaval/ não tem baile de gala/ não tem baile de Chita/ vem entrar na Bica/ vem entrar na Bica...” A partir daí, o escracho seria  a marca da banda, pegando como mote escândalos  políticos e comportamento pouco recomendáveis de homens públicos.   

A rainha da Bica foi mais uma grande sacada de seus fundadores, a veneranda senhora  Petronila de Carvalho, que á época tinha 70 anos e saiu na Bica até os 90, numa prova de que, na Banda do Armando, energia é o que não falta.

 

·         Mário Adolfo é jornalista, um dos fundadores e compositores de marchinhas da banda da Bica   

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