Caprichoso faz da arena Reino de Encantarias na primeira noite de festival

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28/06/2014 7h23 — em Amazonas

 

 

O Boi Caprichoso inova mais uma vez no Festival Folclórico de Parintins. Com o tema “Táwapayêra”, termo com significado de Aldeia Mística, na língua Nheengatu, o Tupi antigo, o Boi da Estrela trouxe a arena do Bumbódromo proposta com enfoque a cultura indígena e o misticismo da Amazônia. Táwapayêra retrata de maneira fiel o cotidiano dos habitantes dessa terra cheia de encantarias, mistérios e belezas. Seja tribal, folclórico ou caboclo, o Caprichoso narra a Amazônia com um olhar de dentro para fora.

 

O bumbá Caprichoso revelou os segredos da criação através da Lenda Amazônica “Sehaypóri”, do povo Mawé. A alegoria, do artista estreante no festival, André Amoedo, conduziu a Rainha do Folclore do Boi Caprichoso, Brena Dianná. As tribos indígenas compuseram o segundo momento do Caprichoso. Com a celebração tribal Mawaca, os índios reverenciam a ancestralidade das grandes nações que se tornaram mitos e lendas. Na sequência, o Puracê Tribal Munungawéra, do povo Parintin, também denominado “dança dos espíritos”, fez referência ao rito de sacrifício Myrãkawéra.

O Touro Negro apresentou a Exaltação Folclórica “Morada dos Encantados”, executada ao som da toada Acalanta, um hino à Amazônia. Fauna, flora, costumes, tradições e vivências do povo amazônida foram contextualizados durante a apresentação para se mostrar a importância do cuidar desta exuberância natural para as futuras gerações desfrutarem desta criação divina. Itens como Sinhazinha da Fazenda, Vaqueirada e Caprichoso surgiram na alegoria confeccionada pelos artistas estreantes Kennedy Moraes e Ney Meireles.

A Figura Típica Regional apresentada foi “O Artesão Indígena”, com a toada Aldeia Mística com objetivo de mostrar a diversidade cultural dos povos através da confecção de trabalhos manuais como flechas, vasos, armadilhas, entre outros. O Caprichoso destacou a mitologia dos Aymarás na região dos Andes do Perú, os segredos da Ayuhasca, o povoado Céu do Mapiá, a bravura dos mura do Rio Madeira e dos Mundurukus do Tapajós até chegar à cerâmica Aruã na Ilha do Marajó. A Cunhã-Poranga, Maria Azedo, surgiu na alegoria, representando a guerreira da mística aldeia.

A nominação das crianças do povo Maraguá, do rio Abacaxis, afluente do Madeira, encerrou o espetáculo de sexta-feira do festival. O ritual de nominação “Ana'wãg”, do artista consagrado Ozéas Bentes, revelou a importância de seis espíritos protetores para a manutenção da vida do povo Maraguá. Tapiraiauara, Çukuyuera, Kaçauaçuranga, Pirarakã, Anauy e Caaporanga eram destaques na alegoria. O pajé, Waldir Santana, regeu do inicio ao fim o grande rito de nominação.