Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda
As neoplasias (tumores) e doenças do aparelho circulatório são as maiores causas de óbitos no Amazonas nos últimos cinco anos. A maior proporção de óbitos está na região do entorno de Manaus, com a média de 75%, dos quais 54,12% eram do sexo masculino. No total, são responsáveis hoje por 72% da mortalidade e um detalhe importante. São mais prevalentes entre as pessoas de baixa renda, por estarem mais expostas aos fatores de risco.
Também chamadas de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DNCT), essas doenças foram responsáveis por mais de 19,2 mil mortes prematuras no Amazonas no período de 2018 a 2022. Destacam-se entre as enfermidades monitoradas com taxas elevadas as doenças cardiovasculares, diabetes mellitus e doenças respiratórias crônicas. Elas são denominadas de mortes prematuras por ocorrerem na população com idade entre 30 e 69 anos.
Os dados foram divulgados pela Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e representam, de acordo com o órgão, um dos principais desafios de saúde pública, tanto pela alta prevalência como pela rapidez com que adquiriram destaque como principais causas de morte no Brasil e no mundo.
No Amazonas, em 2021, a taxa dessas mortes chegou a 233,86 óbitos por 100 mil habitantes com redução para 227,98 em 2022. Em 2018, foi de 223,01, em 2019, 226,61 e em 2020, 225,17 por grupo de 100 mil habitantes.
De acordo com a FVS-RCP, essas doenças são caracterizadas por múltiplas causas e fatores de risco (principalmente tabagismo, consumo excessivo de álcool, alimentação não saudável e sedentarismo), longos períodos de latência, curso prolongado da doença, origem não infecciosa e associação com deficiência e disfunção.
Além do elevado número de mortes prematuras, há a perda de qualidade de vida especialmente pelos impactos econômicos negativos para indivíduos, famílias e a sociedade em geral.
Na análise da mortalidade prematura por DCNT proporcional no Amazonas, as Neoplasias e Doenças do Aparelho Circulatório são as maiores causas de óbitos, especialmente entre os anos de 2020 e 2021.
A Diabetes Mellitus é outra doença que aparece sempre com os maiores números de óbitos, com média anual de 438 óbitos na série de cinco anos, seguida pelo Infarto Agudo do Miocárdio, com média anual de 408 óbitos, e Câncer de Colo de Útero, que acomete somente o público do sexo feminino, se encontra com média de 214 óbitos.
Dentre os óbitos de DCNT contabilizados no Amazonas por regionais de saúde no período, as unidades do entorno de Manaus apresentam a maior proporção de óbitos em todos os anos desta série histórica, com a média de 75,0%, em decorrência de que nessa regional está concentrada a capital do estado do Amazonas
Na distribuição espacial, foi realizada a distribuição espacial da taxa de mortalidade por regional de saúde do estado, na faixa etária de 30 a 69 anos. Observou-se que a regional de saúde com maior taxa em todo o período foi Entorno de Manaus.
O município de Japurá apresenta as maiores taxas de mortalidade no período, com 564,2 óbitos por 100 mil habitantes em 2020 e 544,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2021. Outros municípios que apresentaram taxa de mortalidade acima de 300 óbitos por 100 mil habitantes no ano foram: Fonte Boa, Iranduba, Itapiranga e Careiro.
Isso, de acordo com a FVS, ocorre porque em municípios com população pequena, como Japurá, cuja população de 30 a 69 anos é inferior a 1.000 habitantes, as taxas são sensíveis na variação do número bruto, e não podem ser consideradas como os municípios com maior risco de morrer.
Campanhas
A partir desses dados, o poder público planeja ações de saúde a serem executadas com medidas específicas de promoção e prevenção, como campanhas de educação em saúde nas escolas, empresas e nos centros de saúde, com o objetivo de sensibilizar a população em realizar exames de rotina para que essas doenças possam ser detectadas precocemente e tratadas, evitando a piora no adoecimento e até mesmo levando a morte, informa a FVS-RCP.
A diretora -presidente da FVS, Tatyana Amorim, afirma que o boletim cumpre o papel de proporcionar melhor entendimento das doenças crônicas não transmissíveis. "É fundamental a integração de todas as esferas do setor da saúde para implementar intervenções voltadas à prevenção dessas doenças. Essas ações coletivas possuem potencial para melhorar a saúde da população”, destaca.
Para ela, as ações de controle das DCNT multissetoriais e preventivas podem ser muito eficazes na redução dos índices de mortalidade no estado com a intensificação das ações tanto na capital e interior do estado.
Outro ponto é criação de ações para estimular a prática de algum tipo de atividade física, abandono do tabagismo, manter uma alimentação saudável e equilibrada e evitar o consumo excessivo de álcool.

