Manaus/AM - Um apelo aos eleitores e candidatos das eleições de 2022 para que repudiem os projetos de morte na Amazônia, como a concentração e grilagem da terra, a liberalização do garimpo, a mineração em terras indígenas, foi feito em carta assinada pelo arcebispo de Manaus e presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Leonardo Steiner, e o bispo da prelazia de Marajó (PA), dom Evaristo Pascoal Spengler.
O apelo aos eleitores e candidatos parte do desejo do Papa Francisco, quando disse sonhar com uma Amazônia que lute pelos direitos dos mais pobres, dos povos nativos, dos últimos, de modo que a sua voz seja escutada e que sua dignidade seja promovida.
Os bispos que assinam a carta repudiam confirmaram o apoio a todo projeto político que promova e proteja os direitos das pessoas e da natureza, a partir da cultura do cuidado tão radicada em seus povos. Apoiamos, também para a Amazônia, propostas por terra, teto e trabalho.
Os religiosos afirmam ainda estar convencidos de que a
sustentabilidade da Amazônia não será alcançada por projetos baseados em economias tecnologicamente sofisticadas, intensivas em investimentos. “Virá, antes, pelo respeito ao direito dos povos aos territórios e pelo fortalecimento das economias locais, subsidiadas, qualificadas e sabiamente conectadas às cidades”, asseguram.
No texto, os bispos também conclamam os eleitores deixem-se encantar pela verdadeira política e escolham candidatos que promovam a dignidade humana, combatam a pobreza e as desigualdades sociais, e que protejam a amazônia e seus povos.
“Conclamamos a todos os eleitores a votarem também pela Amazônia no próximo mês de outubro, deixando-se encantar pela verdadeira política, elegendo candidatos cujos projetos promovam a dignidade do ser humano, combatam a pobreza e as desigualdades sociais, estaquem as mudanças climáticas e protejam a Amazônia, seus povos e suas comunidades tradicionais”, destaca a carta que ainda observa o crescimento da fome entre a população enquanto grãos, minérios e riquezas são exportados.
“A violência socioambiental, alimentada pela impunidade, torna mais profunda a desigualdade, causa de dor, sofrimento e morte dos amazônidas, por isso está declarada, também, a emergência climática na Amazônia e no Planeta”, finaliza.

