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Aula sobre ética da professora Graça Barreto " é malandra"

Caro Holanda!

Resolvi meter minha colher no mungunzá porque tenho o maior respeito pelo José Aldemir e porque conheço a Graça Barreto há mais de 30 anos. Se possível, publique esse texto abaixo no seu conceituado blog.

Abracadabraço

SP

Algumas notas sobre o factóide “Crise da UEA”

Por Simão Pessoa

Era para ser um simples ato administrativo de rotina. Movida sabe-se lá por quais interesses, a professora Graça Barreto transformou o referido ato administrativo em cavalo de batalha para ministrar uma malandríssima aula sobre ética, moral e gestão pública, visando, entre outras coisas, atingir diretamente o governador Omar Aziz e, por extensão, o reitor da UEA, professor José Aldemir. O vereador Marcelo Ramos ouviu o galo cantar sem saber aonde, mas também resolveu meter sua colher no mungunzá. Pronto, estava criado um factóide que ganhou as páginas dos jornais e a blogsfera. Como nunca gostei de engodos ou empulhações, resolvi me manifestar.

Primeiro, é preciso ficar bem claro que não tenho procuração do Omar Aziz nem do José Aldemir para defendê-los dessa maledicência ridícula de que estão efetuando o desmonte da UEA – apesar de considerá-los amigos queridos, competentes homens públicos e legítimos representantes da velha esquerda, aquela que pensa mais no social do que no próprio bolso. Eu estou entrando nessa discussão simplesmente porque considero a UEA um verdadeiro patrimônio amazonense e também porque ninguém, até agora, quis dar nome aos bois. Dados esses esclarecimentos iniciais, mãos à obra.

O reitor José Aldemir está demitindo 243 funcionários temporários da UEA. Nenhum deles é professor. Todos são servidores administrativos. Desse total, 95 pertenciam ao curso de Licenciatura em Matemática e custavam mensalmente R$ 134 mil. O referido curso era um projeto especial de duração de quatro anos. Ele foi concluído no mês passado. A festa de formatura dos alunos é este mês (foram formados 1040 alunos em 20 municípios). Se o projeto foi concluído, qual a razão de manter no quadro da UEA os referidos técnicos administrativos? Nenhuma. Universidade pública não é cabide de empregos.

Outras oito pessoas demitidas eram funcionárias ligadas ao pré-vestibular Aprovar, que foi descontinuado em dezembro do ano passado. Essas pessoas representavam um custo mensal de R$ 45 mil. O reitor José Aldemir quer discutir um novo modelo de cursinho pré-vestibular gratuito para ser implantado no próximo ano. Mas, pombas, se o projeto Aprovar já foi descontinuado qual a razão de continuar mantendo o pessoal administrativo ligado ao projeto na UEA? Nenhuma.

Por último, foram demitidas 140 pessoas do GATP, que representavam um custo mensal de R$ 800 mil. A sigla esconde um nome pomposo – Gestão de Apoio Técnico aos Programas de Base Científica –, mas ninguém da UEA jamais soube do que se tratava. Na prática, tratava-se de um formidável “cabide de empregos” para os amigos do poder e uma forma de burlar o TCE com contratações temporárias para quebrar este ou aquele galho. Qual a razão de manter esse “abominável homem das neves” (ninguém nunca viu, mas todo mundo diz que existe) na estrutura da UEA? Nenhuma.

Além de se queixar sobre essas demissões justificadas com a histeria de sempre (“Implanta-se o terror! As palavras chaves que norteiam as ações são: enxugar a máquina, padronizar, equalizar custos e ações”), a professora Graça Barreto mente quando diz que o reitor José Aldemir está descontinuando os Projetos Especiais, como se fossem os grandes vilões do orçamento. Nenhum Projeto Especial foi cancelado. Pelo contrário. A UEA está se preparando para implantar vários novos projetos especiais, entre o quais um chamado “Universidade Aberta”, com cursos gratuitos pela internet e cujo programa piloto (curso de Espanhol) começa a ser oferecido em janeiro.

Para quem ainda não ligou o nome à criatura, Graça Barreto é a mente iluminada por trás da implantação do polêmico curso de graduação em Pedagogia – Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), cujo primeiro vestibular ocorreu em agosto do ano passado. No total, foram aprovados 2,6 mil alunos em 52 municípios. Desses, somente 745 são índios. O curso vem sendo ministrado a distância, com dois professores presenciais em cada pólo, e está previsto para ser concluído em 2014.

Ocorre que a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação, responsável pela formação de professores indígenas, não reconhece esse novo curso da UEA. E como não reconhece, não manda um tostão furado para a UEA, que tem que arcar sozinha com todos os custos. Para a Secad, trata-se de uma aberração conceitual que coloca no mesmo balaio de gatos tanto índios quanto não-índios, e que não serve para nenhum dos dois.

As lideranças indígenas, evidentemente, estão querendo mudanças no curso para adequá-los à sua realidade. Eles entraram no curso acreditando que sairiam capacitados para exercer o magistério indígena. Pelas regras do MEC, estão ilegais. Os não-índios sequer sabem se, após concluírem esse curso de quatro anos, poderão participar de concursos públicos onde seja exigido um curso superior. Alguém consegue imaginar uma entidade colocando um anúncio de emprego para pedagogos com formação intercultural indígena? Nem eu.

Pois é com esse tipo de problema que o reitor José Aldemir e o governador Omar Aziz precisam lidar e equacionar, enquanto Graça Barreto enche a cara nas tascas de Braga e dispara suas maledicências pela rede mundial de computadores. Brincadeira tem hora.

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