Em entrevista a rádio CBN na manhã desta quinta-feira, horas antes da homenagem que receberia na Câmara Municipal de Manaus, o ex-senador Arthur Neto acusou a presidente Dilma de ter o "rabo preso no Ministério dos Transportes". Veja os principais trechos da entrevista
Repórter – Como vai ser na sua volta a Manaus, enfrentar o convite para ser prefeito de Manaus? O sr. vai aceitar?
Arthur - Você disse bem: enfrentar.Porque tem sido uma luta, um desafio. Eu sinto pressão muito grande nas ruas, por onde tenho andado, as pessoas não falam em outra coisa. Tenho sofrido uma pressão interna muito grande tanto de companheiros do meu partido quanto de companheiros de fora. Mas eu prefiro colocar com muito equilibrio, que a minha prioridade são os processos do Ministério Público impetrou sobre irregularidades na campanha. Nós sabemos o que foi feito. Não perdi meu mandato porque o eleitor não votou em mim. Sabemos disso. Até quem não votou sabe o que houve e sabe do escândalo que foi aquela eleição. Eu não tomei iniciativa de propor processo contra ninguém. Quem tomou a iniciativa foi o Ministério Público, através do procurador-chefe Edmilson Barreiros. Eu apenas requeri ser assistente, tanto nos processos contra os madatos eletivos aqui, quanto os diplomas. O resultado é o mesmo, dá na perda de mandato de quem porventura seja consideradopela Justiça como tendo praticado fraude e ilícitros eleitorais. Então, como cidadão, eu cobro o direito de ver esses processos julgados. Essa é a minha prioridade.
Manaus é uma prioridade enorme, mas do ponto de vista pessoal, essa outra está na frente de definições aqui. Tenho posição muita clara em relação a Manaus: eu vou disputar a eleição, direta ou indiretamente. Vou disputar a eleição como candidato, não é o que eu quero, vou disputar eleição em apoiar fortemente quem tenha as melhores propostas para a cidade de Manaus.
Repórter – E quando sai a decisão propriamente dita?
Arthur - Imagino que esses processos serão julgados antes da eleição do ano que vem. Nós temos, portanto, até o prazo das convenções ...
Repórter – Então, no ano que vem?
Arthur - Acredito que sim. Agora, a minha ideia primeira é não disputar (a prefeitura). A minha ideia é disputar, sim, mas como disputar como cabo eleitoral. Disputar como alguém que vai pra rua, percorrer de casa em casa, os corações, as mentes, apresentando um projeto. Temos de participar de foros que estudem Manaus e apresentem soluções para os problemas que Manaus enfrenta. Manaus precisa ter agentes políticos capazes de analisá-la com seriedade, sem demagogia, sem visar a próxima eleição, e sim visar Manaus para os próximos 20 anos. Porque tem gente que diz assim: temos de trabalhar para o ano que tem a copa. Eu concordo. Mas a Copa é um episódio que vai passar já, já. Ah, tem se trabalhar pensando nas olimpíadas. Concordo, com tudo isso eu concordo. Agora , por que não pensamos numa coisa mais abrangente? Pensarmos a Manaus dos próximos 20 anos? Como será Manaus daqui a 20 anos? Que diretrizes temos de elaborar e que atitudes temos de adotar para que Manaus seja uma cidade plenamente habitável, com qualidade de vida, seja na qualidade do trânsito, a redundância que é dizer que temos uma via transitável. Nesse momento temos todas as ruas intransitáveis porque são quatro mil veículos lançados nas ruas todos os meses e não vemos intervenções viárias necessárias que alargariam vias, ou novas vias que propiciem as saídas tradicionais. Estamos vivendo essa pendência sobre como o será o novo sistema de transporte coletivo, se é o monotrilho ou o BRT. Eu simpatizo mais com o BRT,por entender ser mais realista do que o monotrilho que está sendo desativado em quase tudo quanto é lugar, porque está sendo considerado uma tecnologia superada, além de ser caro. Temos de parar de discutir Manaus com vistas a próxima eleição. Temos de discutir Manaus com vistas para as próximas décadas. < /span>Manaus merece ter esse carinho, esse gesto de amor de quem efetivamente a ame, como eu amo.
Repórter – Como vai ser prefeito de Manaus de 2013 a 2016 seja quem for e em relação à Zona Franca: vai ter a zona franca?
Arthur - Por coincidência, 2012 marca 100 anos da debacle da borracha e a Zona Franca vive a sua maior maior crise e eufico espantado. Muitas lideranças ainda não perceberam o tamanho da crise. Ficam imaginando uma atitude pontual aqui, outra acolá, estão costurando soluções e não vão. Não vão costurar solução nenhuma, com essas atitudes pontuais. Precisamos repactuar a zona franca:empresários, trabalhadores, governos, entidades científicas. Precisamos repactuar a a Zona Franca, ver a parte de cada um. A parte da presidente Dilma seria não ter feito a MP 534. O deputado Marcelo Ramos disse muito bem: ela mandou um bilhete para o Amazonas e MP para São Paulo, que destina a mais dinâmica das tecnologias no ramo da comunicação, que são os tablets, para São Paulo. Para nós ela deixa a coisa antiga que é a televisão. Daqui a pouco até máquina de lavar vai ter televisão (...) A televisão vai virar, daqui a pouco, o telefone fixo,aquele que a gente tem em casa e que quase ninguém usa mais. Quase todo mundo se mexe mesmo é pela telefonia móvel, o telefone celular. Vejo que a Zona Franca precisa ser muito bem trabalhada, por quem vai dirigir Manaus, ou o Estado. O governador Omar Aziz está correto em interpor essa ação direta de inconstitucionali dade, porque pra mim é inconstitucional o gesto do governador de São Paulo de fazer o que fez. É inconstitucional, sim.
Repórter – Essa é a próxima pergunta. É possível reverter, dentro do PSDB, o decreto do governador Geraldo Alckmim, já que se trata de um companheiro seu, de partido, de um candidato a presidente ...?
Arthur - Eu me expus numa eleição que tinha poucos votos, a propósito, eu sabia que seria assim, porque a eleição estava polarizada entre Eduardo Braga e Amazonino Mendes. Aceitei, fui para o sacrifício, justamente .... eusabia..........eu entrei como um jogador que entra com o joelhos machucado numa copa do mundo. E o que eu fiz? Fiz isso porque quem era o candidato a presidente? Geraldo Alckmim. E me senti muito autorizado a dizer pra ele olha Geraldo, eu não posso aceitar que alguém que foi candidato a preside nte, seja um governador de são paulo provinciano. Ser governador de São Paulo que só pensa em São Paulo, como uma Faria Lima da vida, que foi um grande governador de São Paulo, mas que jamais seria candidato a presidente da República. Você não só pode ser, como foi candidato a presidente. Você viajou o país inteiro, você conhece muitos problemas . Você não pode governar São Paulo desse jeito: tudo pra São Paulo, não cede nada pra ninguém. Essa guerra fiscal que é ilegal, eu não sei se ele recusa dela, mas eu me afasto dele politicamente. Entendo que eu me afaste politicamente dele, é o mais justo, enquanto ele não sentar com o governador do Amazonas para acertar um modo de con vivência. Enquanto ele não fizer isso, ele conta com a minha amizade pessoal, a minha admiração pessoal, mas não conte com nenhum gesto de aproximação política meu. Daqui pra frente será assim. Isso eu disse pra ele carta. Eu mandei uma carta por e-mail pra ele, que com certeza ele leu.
Repórter – – E o recente escandalo do Ministério dos Transportes? O que aconteceu, afinal? O ex-ministro Alfredo Nascimento era assim desde o começo ou ficou assim nos últimos anos. O que aconteceu no Ministério e, na sua opinião, pelo conhecimento que tem do Senado, o senador Alfredo Nascimento perde o mandato?
Arthur - Sobre o escândalo, foi terrivel, danoso para o Estado. Mas tem aí alguns mistérios insondáveis. A presidente demitiu, mas manteve o ministério perto do PR. Foi uma coisa meio acanhada, me parece um governo meio com o rabo preso no Ministério dos Transportes. Eu reforço essa ideia quando vejo que o dirigente petista, o Caron, ele saiu de fininho, pediu licença, ficou livre,aparentamente, do tal escândalo, mas dizem que ele é um agente fundamental do financiamento da campanha dela. O chefe do DNIT, o dr. Pagot, foi desafiador quando foi ao Senado, como quem diz: não me provoque que eu falo. Eu suponho que o ex-ministro Alfredo Nascimento possa estar na mesma situação. Por isso que eu acho que ele termine não perdendo o mandato, na medida que me pa rece que, no Ministério dos Transportes, acumularam conhecimentos demasiados sobre as práticas do governo em relação a financiamento de campanha e outros que tais. Eu deploro muito o que houve, aguardo com ansiedade e expectativa o discurso que o ex-ministro Alfredo fará no Senado, discurso necessário em defesa da sua honra, dos ataques que sofreu, que um dever que ele tem de praticar esse discurso. Mas deploro tudo o que houve. Por outro lado, imagino que tenha sido feito um grande acordo, um acordo que preserve certas situações, porque, sinceramente, o governo Lula tinha, o governo Dilma tem rabo preso com diversos ministérios, um dos quais, o Ministério dos Transportes.
Repórter – Como vai ser na sua volta a Manaus, enfrentar o convite para ser prefeito de Manaus? O sr. vai aceitar?
Arthur - Você disse bem: enfrentar.Porque tem sido uma luta, um desafio. Eu sinto pressão muito grande nas ruas, por onde tenho andado, as pessoas não falam em outra coisa. Tenho sofrido uma pressão interna muito grande tanto de companheiros do meu partido quanto de companheiros de fora. Mas eu prefiro colocar com muito equilibrio, que a minha prioridade são os processos do Ministério Público impetrou sobre irregularidades na campanha. Nós sabemos o que foi feito. Não perdi meu mandato porque o eleitor não votou em mim. Sabemos disso. Até quem não votou sabe o que houve e sabe do escândalo que foi aquela eleição. Eu não tomei iniciativa de propor processo contra ninguém. Quem tomou a iniciativa foi o Ministério Público, através do procurador-chefe Edmilson Barreiros. Eu apenas requeri ser assistente, tanto nos processos contra os madatos eletivos aqui, quanto os diplomas. O resultado é o mesmo, dá na perda de mandato de quem porventura seja consideradopela Justiça como tendo praticado fraude e ilícitros eleitorais. Então, como cidadão, eu cobro o direito de ver esses processos julgados. Essa é a minha prioridade.
Manaus é uma prioridade enorme, mas do ponto de vista pessoal, essa outra está na frente de definições aqui. Tenho posição muita clara em relação a Manaus: eu vou disputar a eleição, direta ou indiretamente. Vou disputar a eleição como candidato, não é o que eu quero, vou disputar eleição em apoiar fortemente quem tenha as melhores propostas para a cidade de Manaus.
Repórter – E quando sai a decisão propriamente dita?
Arthur - Imagino que esses processos serão julgados antes da eleição do ano que vem. Nós temos, portanto, até o prazo das convenções ...
Repórter – Então, no ano que vem?
Arthur - Acredito que sim. Agora, a minha ideia primeira é não disputar (a prefeitura). A minha ideia é disputar, sim, mas como disputar como cabo eleitoral. Disputar como alguém que vai pra rua, percorrer de casa em casa, os corações, as mentes, apresentando um projeto. Temos de participar de foros que estudem Manaus e apresentem soluções para os problemas que Manaus enfrenta. Manaus precisa ter agentes políticos capazes de analisá-la com seriedade, sem demagogia, sem visar a próxima eleição, e sim visar Manaus para os próximos 20 anos. Porque tem gente que diz assim: temos de trabalhar para o ano que tem a copa. Eu concordo. Mas a Copa é um episódio que vai passar já, já. Ah, tem se trabalhar pensando nas olimpíadas. Concordo, com tudo isso eu concordo. Agora , por que não pensamos numa coisa mais abrangente? Pensarmos a Manaus dos próximos 20 anos? Como será Manaus daqui a 20 anos? Que diretrizes temos de elaborar e que atitudes temos de adotar para que Manaus seja uma cidade plenamente habitável, com qualidade de vida, seja na qualidade do trânsito, a redundância que é dizer que temos uma via transitável. Nesse momento temos todas as ruas intransitáveis porque são quatro mil veículos lançados nas ruas todos os meses e não vemos intervenções viárias necessárias que alargariam vias, ou novas vias que propiciem as saídas tradicionais. Estamos vivendo essa pendência sobre como o será o novo sistema de transporte coletivo, se é o monotrilho ou o BRT. Eu simpatizo mais com o BRT,por entender ser mais realista do que o monotrilho que está sendo desativado em quase tudo quanto é lugar, porque está sendo considerado uma tecnologia superada, além de ser caro. Temos de parar de discutir Manaus com vistas a próxima eleição. Temos de discutir Manaus com vistas para as próximas décadas. < /span>Manaus merece ter esse carinho, esse gesto de amor de quem efetivamente a ame, como eu amo.
Repórter – Como vai ser prefeito de Manaus de 2013 a 2016 seja quem for e em relação à Zona Franca: vai ter a zona franca?
Arthur - Por coincidência, 2012 marca 100 anos da debacle da borracha e a Zona Franca vive a sua maior maior crise e eufico espantado. Muitas lideranças ainda não perceberam o tamanho da crise. Ficam imaginando uma atitude pontual aqui, outra acolá, estão costurando soluções e não vão. Não vão costurar solução nenhuma, com essas atitudes pontuais. Precisamos repactuar a zona franca:empresários, trabalhadores, governos, entidades científicas. Precisamos repactuar a a Zona Franca, ver a parte de cada um. A parte da presidente Dilma seria não ter feito a MP 534. O deputado Marcelo Ramos disse muito bem: ela mandou um bilhete para o Amazonas e MP para São Paulo, que destina a mais dinâmica das tecnologias no ramo da comunicação, que são os tablets, para São Paulo. Para nós ela deixa a coisa antiga que é a televisão. Daqui a pouco até máquina de lavar vai ter televisão (...) A televisão vai virar, daqui a pouco, o telefone fixo,aquele que a gente tem em casa e que quase ninguém usa mais. Quase todo mundo se mexe mesmo é pela telefonia móvel, o telefone celular. Vejo que a Zona Franca precisa ser muito bem trabalhada, por quem vai dirigir Manaus, ou o Estado. O governador Omar Aziz está correto em interpor essa ação direta de inconstitucionali dade, porque pra mim é inconstitucional o gesto do governador de São Paulo de fazer o que fez. É inconstitucional, sim.
Repórter – Essa é a próxima pergunta. É possível reverter, dentro do PSDB, o decreto do governador Geraldo Alckmim, já que se trata de um companheiro seu, de partido, de um candidato a presidente ...?
Arthur - Eu me expus numa eleição que tinha poucos votos, a propósito, eu sabia que seria assim, porque a eleição estava polarizada entre Eduardo Braga e Amazonino Mendes. Aceitei, fui para o sacrifício, justamente .... eusabia..........eu entrei como um jogador que entra com o joelhos machucado numa copa do mundo. E o que eu fiz? Fiz isso porque quem era o candidato a presidente? Geraldo Alckmim. E me senti muito autorizado a dizer pra ele olha Geraldo, eu não posso aceitar que alguém que foi candidato a preside nte, seja um governador de são paulo provinciano. Ser governador de São Paulo que só pensa em São Paulo, como uma Faria Lima da vida, que foi um grande governador de São Paulo, mas que jamais seria candidato a presidente da República. Você não só pode ser, como foi candidato a presidente. Você viajou o país inteiro, você conhece muitos problemas . Você não pode governar São Paulo desse jeito: tudo pra São Paulo, não cede nada pra ninguém. Essa guerra fiscal que é ilegal, eu não sei se ele recusa dela, mas eu me afasto dele politicamente. Entendo que eu me afaste politicamente dele, é o mais justo, enquanto ele não sentar com o governador do Amazonas para acertar um modo de con vivência. Enquanto ele não fizer isso, ele conta com a minha amizade pessoal, a minha admiração pessoal, mas não conte com nenhum gesto de aproximação política meu. Daqui pra frente será assim. Isso eu disse pra ele carta. Eu mandei uma carta por e-mail pra ele, que com certeza ele leu.
Repórter – – E o recente escandalo do Ministério dos Transportes? O que aconteceu, afinal? O ex-ministro Alfredo Nascimento era assim desde o começo ou ficou assim nos últimos anos. O que aconteceu no Ministério e, na sua opinião, pelo conhecimento que tem do Senado, o senador Alfredo Nascimento perde o mandato?
Arthur - Sobre o escândalo, foi terrivel, danoso para o Estado. Mas tem aí alguns mistérios insondáveis. A presidente demitiu, mas manteve o ministério perto do PR. Foi uma coisa meio acanhada, me parece um governo meio com o rabo preso no Ministério dos Transportes. Eu reforço essa ideia quando vejo que o dirigente petista, o Caron, ele saiu de fininho, pediu licença, ficou livre,aparentamente, do tal escândalo, mas dizem que ele é um agente fundamental do financiamento da campanha dela. O chefe do DNIT, o dr. Pagot, foi desafiador quando foi ao Senado, como quem diz: não me provoque que eu falo. Eu suponho que o ex-ministro Alfredo Nascimento possa estar na mesma situação. Por isso que eu acho que ele termine não perdendo o mandato, na medida que me pa rece que, no Ministério dos Transportes, acumularam conhecimentos demasiados sobre as práticas do governo em relação a financiamento de campanha e outros que tais. Eu deploro muito o que houve, aguardo com ansiedade e expectativa o discurso que o ex-ministro Alfredo fará no Senado, discurso necessário em defesa da sua honra, dos ataques que sofreu, que um dever que ele tem de praticar esse discurso. Mas deploro tudo o que houve. Por outro lado, imagino que tenha sido feito um grande acordo, um acordo que preserve certas situações, porque, sinceramente, o governo Lula tinha, o governo Dilma tem rabo preso com diversos ministérios, um dos quais, o Ministério dos Transportes.



