Manaus/AM - A diretora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Antônia Franca Pereira, solicitou ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Paulo César Alvim, o aumento de prazo de dois meses, a partir desta quinta-feira (29), para realizar a revisão do regimento institucional e organograma visando a participação de todos os servidores do órgão.
A iniciativa veio após os pesquisadores e servidores do instituto divulgarem uma carta, também endereçada ao ministro, criticando a existência do projeto para o Inpa que teria sido elaborado por apenas 7 servidores da administração, sem transparência e sem diálogo com a comunidade científica.
Na carta, os servidores destacam que prestes a completar 70 anos de existência, o Inpa enfrenta a sua mais grave crise, estando praticamente paralisado e com risco de não dar continuidade às pesquisas, já que 63% do quadro de 137 pesquisadores está com abono de permanência, podendo se aposentar a qualquer momento.
Atualmente, o instituto produz ciência graças ao trabalho dos mais de 500 estudantes de doutorado e mestrado dos seus 9 cursos de pós-graduação e do seu quadro de 137 pesquisadores, diz a carta.
A principal crítica ao projeto do novo regimento é para a extinção da Coordenação de Pesquisa em Tecnologia e Inovação (Cotei), uma das maiores e mais importantes do instituto e a alteração do nome da coordenação de Pesquisas em Sociedade, Ambiente e Saúde (Cosas) para uma inadequada e fantasiosa denominação de “bem-estar social”, segundo os pesquisadores.
“Apesar da crise institucional, os pesquisadores e pesquisadoras do instituto, por meio de captação de recursos externos, têm gerado conhecimentos, novas tecnologias, produtos e processos”, diz a carta, lembrando que mesmo com o momento político difícil e dramático vivido no país, os pesquisadores prezam o diálogo honesto e busca de compromissos.
“As mudanças propostas, caso implementadas, enfraquecerão ainda mais a pesquisa científica, atividade fim do Instituto. Sem as coordenações dos Programas de Pós-graduação no seu organograma, o Inpa corre o risco de desaparecer”, denunciam os pesquisadores, que pediram o cancelamento do regimento e construção de uma estrutura organizacional de forma democrática, participativa e transparente com a colaboração da comunidade científica do Inpa.



