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Apaixonada, japonesa visita Manaus há 28 anos para ver o Rio Negro

Apaixonada, japonesa visita Manaus há 28 anos para ver o Rio Negro
Apaixonada, japonesa visita Manaus há 28 anos para ver o Rio Negro

Manaus/AM - Junko Shimamori mora em Tóquio, no Japão, onde é professora do ensino fundamental, mas desde 1994, faz anualmente uma viagem que dura cerca de 24 horas até o Brasil para encontrar, no Amazonas, o “namorado”, que é como ela chama o Rio Negro.

O mês escolhido é agosto por ser o do seu aniversário. No dia 31 de julho, Junko, que tem 61 anos, despede-se do marido, familiares e amigos em Tóquio e parte para o Amazonas e na capital, contrata um barco para levá-la a uma praia do Rio Negro onde, munida de uma rede, alimentos e uma boa máquina fotográfica, passará a noite do aniversário, dia 6 de agosto, ao lado do “namorado”.

Foto: Divulgação

Após dois anos de ser impedida, pela pandemia, de cumprir seu ritual, o coração transbordava de alegria neste ano para cumprir sua promessa de a cada ano passar seu aniversário ao lado do Rio Negro.

Essa história de amor começou em 1991, quando ela foi contratada pelo governo japonês para dar aulas aos filhos de japoneses que trabalhavam no Amazonas.

Foto: Divulgação

Aqui, ensinou as crianças e conheceu o rio que é o maior afluente da margem esquerda do Rio Amazonas, um dos três maiores rios do mundo em extensão e o sétimo em volume d’água. 

O encantamento instantâneo foi tão intenso que, quando precisou voltar para sua terra, em 1994, comprometeu-se intimamente, a voltar a cada ano  para comemorar o aniversário e banhar-se nas águas tão especiais do Negro para recarregar todas as suas energias.

E assim tem feito. Junko chega sempre no dia 1º de agosto, mês do aniversário dela e seu período de férias no Japão. Em Manaus passa cerca de 15 dias em casa de amigas, sendo um desses dias e uma noite, vai para uma praia do “rio mais bonito do Planeta” comemorar a nova idade.

“Ele me traz energia, renova minhas alegrias”, diz ela, que se comunica muito bem em português e, quando precisa para o socorro de tradução de uma ou outra palavra, tem sempre um dicionário à mão. 

O marido não tem ciúmes, segundo Junko, porque ele também tem uma “namorada” em Tóquio, que é o voleibol. Mas já veio conhecer o Rio Negro e aprovou a paixão da esposa.

Junko sente-se tão íntima do Amazonas que come com habilidade peixes regionais como tambaqui, jaraqui, tucunaré e pirarucu. E é ainda fã de cupuaçu e açaí, que saboreia com leite condensado e farinha de tapioca.

Foto: Divulgação

Aliás, antes de voltar ao Japão, avisa que vai “tomar açaí para levar esse este último sabor da Amazônia”, disse ela.

Nos preparativos para passar a noite numa praia do Rio Negro, ela leva repelentes, mosquiteiros, rede e alimentos. Junto a amigas e ao pessoal do barco que a conduz à praia, vive a experiência mágica de deixar-se encantar pelas estrelas, pelo som que vem do rio e dos pássaros noturnos.

No local onde tem ficado nas últimas vezes que veio, emociona-se com o céu que, de tantas estrelas à noite, faz das águas um espelho de beleza incomparável. 

“Eu fico deitada com os olhos voltados para o céu, captando a energia mágica desse lugar”, explica Junko, que sente como a terra girasse naquele momento e só existisse aquele ponto no Planeta. 

“Só se vive uma experiência dessas no Rio Negro, cada coisa ali é especial e única”, afirma ela, lembrando a diversidade da natureza do seu país com a do Brasil.

Ver estrelas cadentes, identificar a constelação do Cruzeiro do Sul no céu são experiências que Junko armazena a cada experiência com o namorado Rio Negro, muitas registradas em sua máquina fotográfica.

Quando o dia amanhece, é hora de usar o protetor solar e se preparar para passar boa parte do dia banhando-se nas águas negras como se usasse um líquido generoso que renova a pele e também a alma.

Nesse agosto de 2022, voltar a viver esse amor fortaleceu mais ainda essa relação que já dura quase três décadas e que pretende manter enquanto viver. 

Ao deixar a praia, Junko esticou o olhar o quanto pode para fazer penetrar na retina muitas imagens do seu “namorado” amazônico, que vão também em centenas de fotografias. “Se alguém por acaso quiser saber o que me traz do Japão numa viagem tão longa para um encontro tão inusitado, eu mostro as imagens fotográficas e a pessoa entenderá, porque só falando não é possível compreender”, acredita.

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