Manaus/AM - Até o último dia 21 de janeiro, um total de 359,56 km² foi desmatado na região amazônica, um recorde, de acordo com a série histórica de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE). O desmatamento no Amazonas foi de 39,90 km², o que deixa o estado no quinto lugar entre os demais da região.
Desde o ano de 2015, quando começou a série de acompanhamento, o Inpe nunca havia registrado um número tão alto de desmatamento no mês de janeiro, que é chuvoso na região, dificultando o desmatamento ilegal da floresta. No ano passado, janeiro teve 83 km² de áreas degradadas. A informação é do site amazonia.org.br.
E ainda faltam 10 dias para computar, já que o sistema apenas registrou as informações até o dia 21.
O estado que liderou o desmatamento neste janeiro de 2022 foi o Mato Grosso, com 118,36 km² de desmatamento, seguido de Rondônia, com 98,76 km², Pará, 51,52 km² e Roraima, com 41 km².
No Amazonas, o índice foi 39,90 km², no Acre, 8,80 km² e Maranhão, 1,33 km², o Amapá teve 0,08 km² e o Tocantins não registrou alertas.
Dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a partir de dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, o desmatamento ocorre em ritmo cada vez mais acelerado na região.
Nos últimos três anos, o desmatamento na Amazônia cresceu 56,6%. Se forem comparados os números dos últimos três anos, entre agosto de 2018 e julho de 2021, a perda de vegetação nativa chegou a 32.740 km², o equivalente ao tamanho da Bélgica, contra 20.911 km² no mesmo período de 2015 a 2018.
A pesquisa conclui que a devastação começou a acelerar no segundo semestre de 2018, como consequência do discurso de campanha de Jair Bolsonaro (PL), favorável à desarticulação da fiscalização ambiental, chamada pelo então candidato de “indústria da multa no campo”.
A preocupação aumenta a partir desse momento, que é pré-eleitoral e com fatos de ordem política e legislativa que podem aumentar a atual fragilidade das políticas e das instituições responsáveis pela agenda ambiental, pelas ações de comando e controle, principalmente, na esfera federal”, afirma o estudo assinado por quatro pesquisadoras.

