Manaus/Am - A rodovia AM-010, que liga Manaus à cidade de Itacoatiara, foi classificada como uma das 10 piores do país em pesquisa divulgada nesta quinta-feira (02) pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). De um total de 505 rodovias pesquisadas, a AM-010 ocupa a 501ª posição.
A pesquisa “CNT de Rodovias 2021” traz um ranking novo que abrange uma maior extensão das rodovias pesquisadas do que a listagem das ligações rodoviárias utilizada até 2019.
Quanto à AM-010, segundo o levantamento, em 95,1% da malha rodoviária pavimentada há algum tipo de problema, regulares, ruins ou péssimo. Apenas 4,9% da malha rodoviária recebeu avaliação consideradas ótimas ou boas.
Quanto à pavimentação, 93,8% da extensão da rodovia apresentam problemas e apenas 6,2% estão em condição satisfatória. Um total de 4,3% estão com o pavimento totalmente destruído.
No item sinalização, 79,3% da rodovia foram consideradas regulares, ruins ou péssimas, 20,7%, ótimas ou boas, 34,2% da extensão está sem faixa central e 43,0% não têm faixas laterais.
Pelos resultados apresentados na pesquisa, os trechos que apresentaram mais problemas estão sob gestão pública e distribuídos em três regiões: no Norte; no Amazonas e Acre; Nordeste, em Pernambuco, Maranhão e Bahia; e no Sul, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A falta de investimentos nessas vias, de acordo com a pesquisa, levou o Brasil a desperdiçar 955,99 milhões de litros de diesel, cujo consumo aumenta devido a problemas de qualidade das estradas. O prejuízo financeiro é calculado em aproximadamente R$ 4,21 bilhões para os transportadores de cargas e de passageiros no país.
CUSTOS
Para a CNT, considerando apenas o diesel, é possível estimar que o total de 955,99 milhões de litros consumidos foram de forma desnecessária, o que ocasionou uma descarga de aproximadamente 2,53 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalentes na atmosfera.
Pelos levantamentos da confederação, as rodovias demandam R$ 82,5 bilhões em investimento para 92.711 quilômetros com problemas. Isso porque em toda a extensão pesquisada, foi constatada a necessidade de R$ 62,9 bilhões para a reconstrução de 554 quilômetros que estão com a superfície destruída e para a restauração de 41.039 quilômetros nos quais se identificam trincas, buracos, ondulações, remendos e afundamentos.
Para os trechos desgastados (51.118 quilômetros), o custo estimado para manutenção é de R$ 19,6 bilhões.
Um quarto das rodovias que tiveram concessão para a iniciativa privada apresentam problemas, conforme indica o levantamento da CNT.
Em 2021, foram avaliados um total de 23.636 quilômetros de rodovias sob gestão concedida. O estado geral de 25,8% dessa extensão foi classificado como Regular, Ruim ou Péssimo.
A pesquisa constatou que está havendo redução tanto nos valores totais quanto no montante investido por quilômetro desde o ano de 2016.
Em relação ao investimento médio, entre 2016 e 2020 ele foi de R$ 7,16 bilhões por parte das concessionárias e de R$ 8,90 bilhões pelo governo federal.
A pesquisa aponta ainda que o país gasta mais com os acidentes do que com o investimento em rodovias, situação que é histórica no Brasil.
Para a CNT, essa realidade poderia ser evitada com a melhora da pavimentação, sinalização e geometria das rodovias. Até setembro deste ano, estima-se que os custos dos acidentes tenham sido de R$ 8,85 bilhões, enquanto o total pago em investimentos em rodovias federais foi de R$ 4,16 bilhões, resultando em uma diferença de R$ 4,69 bilhões.



