Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda
Mesmo com poucos registros oficiais, os acidentes com peixes na Amazônia como piranhas, candirus e arraias vêm aumentando em locais frequentados por banhistas e são alvo de preocupação de estudiosos da área por se tornarem um problema de saúde pública.
O alerta vem com a publicação do livro “Peixes da Amazônia que podem causar acidentes”, reunindo pesquisas de mais de 30 anos do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sobre o tema.
Organizado pelo doutor em ecologia aquática Edinbergh Caldas de Oliveira, o livro traz os casos mais conhecidos registrados, que são da extração cirúrgica do candiru da uretra de um homem, feita pelo cirurgião Anoar Samad, divulgada inclusive no Discovery Channel , um canal de tv norte-americano e outro em uma garota de 14 anos que veio do interior e atendida no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), ambos na década de 1990.
Mas vai além alertando para o aumento do número de acidentes envolvendo especialmente piranhas e arraias nos locais frequentados por banhistas locais e visitantes.
Ao afirmar a necessidade de ações mitigadoras para evitar os acidentes com a divulgação de informações e alertas, Edinbergh explica que há relatos de acidentes com mortes ocorridos com pirarucu e poraquê, mas a necessidade de mais cuidados são nos rios frequentados por mais pessoas.
“Independe do rio, os acidentes ocorrem onde têm mais pessoas alterando o ambiente aquático ou realizando atividade de pesca”, afirma o pesquisador.
Para se evitar ou mitigar esses acidentes, depende da espécie do peixe, mas de um modo geral pode-se evitar ambientes alterados pelo homem e sempre estar atento e a qualquer fisgada sair da água, explica Edinbergh,
De acordo com ele, as autoridades podem estabelecer normas e condições para a conservação dos ambientes naturais ou até mesmo telar com redes aquáticas as áreas com maior ocorrência de acidentes.
No total, o livro tem 10 capítulos nos quais traz histórias com peixes como candirus, traíras e tubarão, além das piranhas e arraias, todos estudos desenvolvidos em projetos de pesquisa e de iniciação científica do ICB/Ufam, que são os coautores.

