O ex-vereador Plínio Valério, pré-candidato a deputado federal pelo Democrata, diz, em entrevista ao Blog do Holanda , que Manaus sofreu uma certa decepção com Amazonino Mendes, que ele ajudou a eleger, mas que do ponto de vista administrativo Amazonino é melhor do que seu antecessor, Serafim Correa. “Não me dou bem é com o Negão. O Amazonino é caboco como eu. Já o Negão é politico profissional preso às amarras do passado, cujos cadeados são difíceis de romper".
Essa dupla identidade do prefeito e o não cumprimento de promessas de campanha tem resultado em cobranças, por isso Plínio entende que se for colocar numa balança perdeu muito ao apoiar Amazonino em 2008, “pois como ele ganhou fui cobrado em demasia, coisa que acontece ainda hoje e é claro, nada posso fazer”.
Plínio explica as razões pelas quais o Democrata fechou apoio a Omar Aziz. “Omar cumpre o que diz. É alguém em quem se pode confiar” . O ex-vereador também não acredita numa terceira via. Para ele, a campanha nem começou e já está polarizada entre Omar Aziz e Alfredo Nascimento. Veja a entrevista.
Blog do Holanda - Por que o DEM decidiu apoiar a candidatura de Omar Aziz?
Plínio Valério - O Omar além de representar a continuidade de um governo com alto índice de aprovação tem a seu favor o fato de cumprir com a palavra. É dentre os candidatos majoritários aquele que inspira mais confiança. Lealdade e confiança é muito importante numa aliança política. Você lidar com uma pessoa que cumpre o que diz é no mínimo tranqüilizador.
BH - Quer dizer que Omar assumiu compromissos com o DEM?
Plínio - Compromissos políticos que vão de encontro ao que pensamos ser bom para o Amazonas. Como por exemplo, estender a Zona Franca aos municípios que fazem parte da Região Metropolitana, corrigindo assim um erro de origem quando da criação da ZFM. Todos sabem que Manaus inchou enquanto que o interior esvaziou...
BH - O DEM pretende influenciar na escolha do candidato a vice?
Plínio - Não. Esse é um assunto entre Eduardo Braga, PMDB e Omar.
BH - Então os Democratas não exigiram nada?
Plínio - Quando você entra numa aliança exigindo é sinal de que não há confiança entre as partes e se não existir confiança, é melhor que não haja casamento.
BH - Fala-se muito numa terceira candidatura que teria como objetivo levar a eleição para o segundo turno.
Plínio - Agora é tarde... Com a saída do Serafim a oposição ficou sem um nome forte e permitiu que a eleição ficasse polarizada antes do tempo. Isso me parece mais coisa de quem está fora do jogo e quer entrar a qualquer custo, achando que outra candidatura teria no mínimo quinze por cento dos votos. É só pegar os dados da eleição passada. Não houve segundo turno e olha que o candidato era o Artur Neto.
BH - Mas era diferente. A disputa foi entre Amazonino e Braga.
Plínio - Eleição para governo é mais emoção que razão. O Omar e o Alfredo já estão dando até autógrafos, de tanto que estão expostos na mídia e olha que ainda nem começou a eleição. De tão massacrado pela mídia o eleitor acaba tomando partido, escolhendo um lado, sem contar aqueles que não gostam de votar em quem vai perder. O bonde passou e nele só estavam Omar e Alfredo.
BH - Segundo as pesquisas o seu nome aparece com uma densidade eleitoral invejável, por que você está sem mandato há seis anos?
Plínio - Política não é profissão. Política é missão. Fui duas vezes vereador de Manaus e cumpri minha primeira missão, depois fui candidato a senador e prefeito; cumpri parte da missão que era desafiar aqueles que se julgavam e ainda se julgam donos do povo. Mandato é importante, mas não é tudo. O fardo que carrego foi eu mesmo que escolhi, portanto ele não é tão pesado assim.
BH - Qual será esse fardo na eleição que se avizinha?
Plínio - Sou pré candidato a deputado federal e não mais ao Senado.
BH - O que houve?
Plínio - Depois de duas candidaturas ao Senado sozinho, resolvi me aliar a outro grupo que me proporcionasse o que nos faltava: Estrutura para ir até os municípios do interior do Estado. Ajudei o Amazonino pensando nisso. Fui ajudá-lo quando ele estava sem mandato, vindo de duas derrotas consecutivas, quando todos achavam que ele já era.
BH -Quer dizer que de nada adiantou ajudar na eleição de Amazonino?
Plínio - Politicamente não. Se for colocar numa balança até saí perdendo, pois como ele ganhou fui cobrado em demasia, coisa que acontece ainda hoje e é claro, nada posso fazer.
BH - Está arrependido?
Plínio - Não é bem assim. Do ponto de vista administrativo Amazonino é infinitamente melhor que Serafim. Já do ponto de vista político é outra conversa. Amazonino continua preso às amarras do passado, cujos cadeados são difíceis de serrar.
BH - Como é o seu relacionamento com o Prefeito de Manaus?
Plínio - Com o Amazonino é excelente, não me dou bem é com o Negão. O Amazonino é caboco como eu, já o Negão é o político profissional, como disse, cheio de compromissos com companheiros do passado.
BH - Além da defesa do homem do interior e do meio-ambiente que tem sido o seu forte até aqui, o que se pode esperar de Plínio Valério candidato a deputado federal?
Plínio - Vou me comprometer com uma coisa que todos querem, mas ninguém está lutando por isso que é a redução de impostos no Brasil. O brasileiro já tomou consciência de que paga muito imposto e não recebe quase nada em troca. Todos nós pagamos impostos, seja na hora de comprar, seja na hora de consumir, só que as camadas mais pobres pagam bem mais que os mais ricos. Precisamos reduzir impostos dos produtos que os mais pobres necessitam, principalmente de alimentos. Quanto menos imposto mais dinheiro no bolso para comprar alimentos, os mais pobres, comprar geladeiras e móveis, os que têm alguma condição e comprar carros e reformar a casa os que podem um pouco mais.
BH - Isso vai dar voto?
Plínio - Não sei. O que sei é que do jeito que está não pode continuar. Quem ganha até dois salários mínimos neste país tem que trabalhar 197 dias só para pagar impostos, quem ganha de oito a dez salários mínimos tem que trabalhar 128 dias, enquanto que os ricos, aqueles que ganham mais de 30 salários mínimos trabalham 106 dias para pagar seus impostos. Os impostos indiretos, aqueles que a gente nem percebe que paga (IPI, PIS, COFINS, ISS, ICMS e Cide) fazem com que falte alimento na mesa do mais pobre, geladeira e móveis na casa dos que ganham alguma coisa e TV de LCD na casa do mais ou menos. Tudo isso é possível desde que possamos conseguir reduzir o elevado número de impostos pagos por todos nós. O Governo pode muito bem se virar com o que vai arrecadar, basta que combata a corrupção e o desperdício existentes, ou seja, que administre melhor o dinheiro do povo brasileiro. Isso é possível? Eu acredito que sim.
BH - E quanto à Lei conhecida como Ficha Limpa?
Plínio - Um tremendo avanço, porém, muita tímida. Tem ficha suja por aí que vai escapar porque ainda não foi condenado por um colegiado e até mesmo quem já foi condenado por um colegiado como o Tribunal de Contas. Governantes que sumiram com dinheiro que deveria proporcionar merenda escolar a estudantes pobres. São muitos os exemplos. A lei teria obrigatoriamente que abranger os Tribunais de Contas dos Estados, mesmo estes sendo órgãos acessórios. É nos TCEs que reside talvez o maior número de comprovação de falcatruas dos que deveriam administrar a coisa pública com zelo e esses embora sujos, continuarão com suas fichas limpas.




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