Agora ele deverá pedir desculpas pessoalmente aos funcionários do espaço após ter sido confrontado por um dos sócios do Blue Note, Facundo Guerra. Caso contrário, terá de enfrentar um processo na Justiça.
Em vídeo que publicou em suas redes sociais, Pedro diz que usou das habilidades do parkour para entrar no Blue Note para conhecer o local sem ter que pagar a taxa de entrada, de R$ 50. Ele conta que sempre teve curiosidade de saber como era o espaço, mas acreditava que não o deixariam fazer um tour sem abrir a carteira. Ele diz no vídeo, então, que usou seu "'free-pass' chamado parkour".
O Blue Note de São Paulo é filial de um dos clubes de jazz mais tradicionais de Nova York, que construiu a lenda em torno de seu nome ao receber apresentações de figuras como Dizzy Gillespie, Sarah Vaughan e Oscar Peterson. No endereço paulistano, nomes de referência na música brasileira já se fizeram presentes, como Hermeto Pascoal, Yamandu Costa e João Bosco.
Pedro entrou no Conjunto Nacional e subiu de elevador até o segundo andar, no qual está instalado o Blue Note. Ele então pulou uma grade que dava acesso à fachada do Conjunto, caminhou até a sacada do espaço e saltou para dentro.
"Entrei, peguei o elevador, subi, como qualquer pessoa faria. Só que, em vez de ir reto para entrar, fui dar uma volta para conhecer essa área no topo. Comecei a andar, fui conhecendo e acabou que, quando estava voltando para o elevador, eu vi uma brecha na segurança. Nada que você não pudesse ter feito, fui andando. Acho que foi um dos motivos de terem ficado bravos, talvez tenham achado que os expus", diz Pedro à reportagem. "O uso do parkour foi pular a grade. Talvez alguém que não fizesse parkour conseguisse também."
Ele gravou vídeos no espaço fechado do estabelecimento, onde havia uma apresentação musical em curso, "Tributo a Sting e The Police". Ele diz que acessou o recinto por uma entrada lateral, onde normalmente há um funcionário controlando a entrada. Naquele dia não havia, diz Pedro. Ele conta que ouviu não mais do que duas músicas, gravou material para seu Instagram e deixou o local por outra brecha que descobriu.
O parkour é uma atividade física criada na França nos anos 1990 que incentiva os praticantes a saltarem, escalarem e descerem por obstáculos urbanos como muros, corrimões de ruas e estações de metrô.
A prática, cujo nome em francês é inspirado em um treinamento militar com obstáculos, tem ganhado força no Brasil, e Pedro oferece cursos gratuitos e pagos de parkour em seu canal.
A produção audiovisual de Pedro chegou ao conhecimento de Facundo Guerra, 46, um dos sócios da filial da conhecida casa de jazz norte-americana.
Conhecido como o rei da noite paulistana por sua participação em empreendimentos que marcaram a cidade nos últimos anos, como Vegas, Volt, Lions, Pan Am, Drive In, Cine Joia, Riviera, Mirante Nove de Julho e Bar dos Arcos, Facundo aborreceu-se com as publicações de Pedro sobre a invasão e postou uma série de mensagens sobre o tema em seu Instagram.
"Humanos, preciso muito da ajuda de vocês. Estou com um dilema moral. Um senhor, o @opedromagico, invadiu o @bluenotesp usando parkour. Comeu, bebeu, se divertiu, não pagou o serviço dos atendentes que o serviram (até nós, sócios, fazemos isso) e se foi dando risada. Até aí, tudo bem. Dolorido, mas o cara escalou o Conjunto Nacional. Merecido. Porém eu teria ficado quieto e batido palmas aqui dentro pelo feito se ele não tivesse postado tudo nos seus stories, me dando provas do crime, fazendo piadinha, sendo irônico", escreveu Facundo, que então promoveu uma enquete em seu próprio perfil para saber se prestaria queixa contra Pedro ou não.
Na sequência, Facundo apresentou outra ideia: que Pedro lavasse a louça após refeição dos funcionários do Blue Note e pedisse desculpas a eles por terem lhe servido de graça. A ideia também envolvia a transmissão da lavação pela internet.
Em seu perfil, Pedro respondeu que não havia consumido nada no local e nem teria como fazê-lo, já que não estava com comanda por não ter entrado pelo acesso regular. Ele também disse, posteriormente, que havia chegado a um acordo com Facundo segundo o qual ele pedirá desculpas aos funcionários e pagará os R$ 50 referentes à entrada. Os envolvidos também combinaram de não alimentarem mais a discussão entre seus seguidores.
Facundo diz à reportagem que o problema se encerra assim que Pedro cumprir o que foi acordado. O encontro está marcado para as 18h desta quinta-feira (27).
"Ele invadiu o Blue Note e postou nos seus stories como fez isso, de maneira a ganhar engajamento. Ele arriscou a sua vida e a vida de quem passava na Paulista. Gravou o ocorrido e postou tudo fazendo ironias de quem trabalha lá dentro. Então acho que ele já reconheceu seu erro e aceitou se desculpar para que o assunto não entrasse na esfera jurídica e sobrecarregasse nosso Judiciário. Eu estou satisfeito com o pedido de desculpas", disse.
Pedro conta que o empresário sugeriu que ele fizesse um show de mágica para os funcionários, o que ele declinou.
"Ele me disse que, como eu vi o show deles e não paguei, eles veriam o meu e não pagariam. Aí comentei que mágica, humor e hipnose precisam de confiança para funcionar. Precisa que o público esteja gostando de mim, de 'rapport'. E eu falei para ele que, pelo que vinha me dizendo e por algumas mensagens que recebi, não era bem o clima", diz Pedro.
O youtuber fez uma contraproposta, que tentará colocar em prática nesta quinta. Ele levará um amigo que é especialista em resolução de conflitos, em comunicação não-verbal e em mindfulness funcional, atividade que propõe o uso de técnicas de meditação em contextos práticos.
Depois de pedir desculpas a todos os funcionários, Pedro sugere que todos façam uma dinâmica de meditação em conjunto. Ele diz que Facundo ainda não respondeu se topa o exercício.
"Essa meditação trabalha em dupla sempre, olho no olho, toque, mantras em português, como 'eu confio em você'", explica. "Primeiro, tem as desculpas. Depois tem 40 minutos dessa dinâmica da qual participariam eu, os funcionários e gostaria que o Facundo também."
Sobre a retratação, ele diz que topou porque acredita que deve pedir perdão às pessoas que se sentiram atingidas, e não para evitar um processo.
Ele pensa que deveria se desculpar para Facundo, mas o empresário quer que seja apenas para os funcionários. Pedro argumenta que, em um mundo ideal, ambos deveriam pedir desculpas, já que Facundo se referiu a ele de maneira ofensiva.
"Se eu ofendi alguém ou feri alguém, vou lá e peço desculpas. Não foi minha intenção e vou tomar mais cuidado para não causar mais esse tipo de constrangimento", afirma Pedro.
"Acho que falar que ele [Facundo] 'deveria' me pedir desculpas é uma expressão forte. Ele surgiu com informações que não conferiam [sobre o consumo de comida e bebida], disse que infernizaria a minha vida, me chamou de babaca, burro, QI de jabuti. Em um mundo ideal, acho que os dois fizeram coisas erradas e devem desculpas. Mas não estou esperando isso dele, de maneira alguma", completa. "Eu lido com a minha história, ele lida com a dele."

