SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A USP e o governo de São Paulo assumiram de maneira definitiva que o projeto do muro de vidro que se para sua raia olímpica da marginal Pinheiros não deu certo. A Prefeitura do Campus da USP da Capital, hoje comandada pela urbanista Raquel Rolnik, está idealizando um projeto para dar fim à construção do governo Doria (PSDB), inaugurada em 2018.
No lugar do muro, a universidade quer agora criar uma cerca viva, colocando um ponto final a um problema para o qual não encontrou solução. O muro atual é feito com placas que medem cerca de um metro de largura, posicionados sobre uma estrutura de concreto.
Conforme os trechos da construção iam sendo inaugurados, as placas de vidro já instaladas iam se quebrando.
O plano inicial previa a colocação de cerca de 1.200 placas de vidro, que custam R$ 4.000 cada uma, ao longo dos 2 km de extensão do muro.
As placas de vidro que restaram intactas, porém, ficarão no localhoje, há 45 quebra das e 800 inteiras. O custo para remover os vidros é enorme. Estamos agora pensando nesta medida como uma forma de enfrentar a situação e de resolvê-la sem onerar os cofres públicos, diz Rolnik.
Dos 2km de muro previsto inicialmente, pouco mais da metade foi finalizada (incluindo os trechos com as peças quebradas), e há 597 metros parcialmente construídos, sem a instalação de vidros. Segundo Rolnik, a decisão atual do campus é criar esse corredor verde em toda a extensão prevista para o muro.
Nos vãos deixados pelas peças rompidas em esmo onde já há estrutura de concreto mas os vidros não foram aplicados, serão colocados gradis de metal, somando-se 325 vãos.
Conforme outras placas de vidro se romperem, no lugar, a universidade vai aplicar um novo gradil de metal. Ainda não há orçamento para o novo projeto, e a licitação para fornecimento e instalação de gradis deve ser lançada neste semestre.
A primeira decisão importante é essa: a de que todo o muro e toda a sua área envoltória passam a ficar sob gestão da USP, diz a arquiteta e urbanista. Parte do problema aconteceu porque a gente recebeu uma intervenção que não foi debatida no âmbito da universidade, afirma.
O orçamento previsto para toda a obra do muro no lançamento do projeto era de R$ 15 milhões. Por causa da polifonia de origens de recursos, a USP não soube informar quando foi gasto até hoje.
Paralisada desde março de 2020, a obra, anunciada em 2017, foi idealizada durante a gestão de Doria em uma parceria sem contrato entre a USP, a Prefeitura de São Paulo e pelo menos 44empresas.
Hoje quem passa pela marginal pode ver que as peças de vidro que se estilhaçaram ainda estão por toda a extensão do muro. Há cacos em diversos pontos à beira da obra. Quando as peças de vidro começaram a surgir quebradas, considerou-se a hipótese de vandalismo. Uma investigação realizada pela Polícia Civil não comprovou essa teoria. Segundo Rolnik, conclui-se hoje que as placas se rompem por causa da trepidação do terreno causada pelo tráfego de veículos na marginal Pinheiros. Várias peças apareceram quebradas em um dia marcado pela passagem de carretas, conta.
Os problemas que derivaram do projeto acabaram gerando reclamações dos esportistas que usam a raia olímpica. Em reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, vários deles falaram de trepidação das águas, do barulho constante causado pelo trânsito e até da presença de invasões.
O novo projeto, diz Rolnik, tem função estética e também pretende filtrar a poluição sonora e atmosférica. E dará solução para um último problema: a morte de pássaros que não enxergam o vidro.



