SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Universidade de São Paulo votará nesta terça (3) a criação da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento, um novo órgão administrativo que tem como objetivo aumentar a diversidade dentro da universidade e aproximá-la da realidade brasileira.
A expectativa é de que a votação no Conselho Universitário --considerado o órgão máximo da USP-- aprove a criação da entidade.
Segundo o reitor da universidade, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, já existem alguns projetos programados para a nova pasta, que deverá contar com um orçamento próprio para implementá-los. Mas os detalhes, incluindo a verba exata que o órgão terá, só devem ser anunciados após a aprovação oficial.
Carlotti diz que ficará surpreso se o Conselho não confirmar a criação da nova pró-reitoria, uma vez que ela já foi aprovada nas principais comissões que integram a estrutura administrativa da universidade.
O novo órgão funcionará no prédio da reitoria e será dividido em cinco áreas: Vida no Campus; Saúde Mental e Bem-Estar Social; Mulheres, Relações Étnico-Raciais e Diversidades; Formação e Vida Profissional; e, Direitos Humanos, Políticas de Reparação, Memória e Justiça.
Se aprovada a criação da nova pró-reitoria, o Conselho analisará as indicações para a administração da entidade, que deve ficar a cargo de duas mulheres.
A indicada para o cargo de pró-reitora é Ana Lucia Duarte Lanna, atual diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP). Já a indicada como pró-reitora adjunta é Miriam Debieux Rosa, professora do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP (IP-USP).
Entre os temas que devem ser objeto de trabalho do novo órgão estão as políticas de permanência, responsáveis por auxiliar os estudantes em questões como moradia e transporte, por exemplo.
"O ideal é que o estudante tenha moradia física na universidade ou uma bolsa para morar em uma das cidades onde temos campi. Se o aluno tiver um pacote de apoio inicial quando entra na universidade, ele poderá se preocupar só com o estudo e aí teremos uma universidade de excelência, porque no fim o que queremos é a qualidade de formação, que nossos alunos sejam os melhores, mas para isso precisamos de mais do que bons professores, precisamos ter ações fora da sala de aula", diz Carlotti.
O reitor afirmou ainda que a pró-reitoria deve ter como um de seus primeiros projetos uma reformulação do sistema de bolsas de permanência, que atualmente estão divididas em diversas categorias.
O plano, diz ele, é criar um sistema para unificá-las, o que deve facilitar a vida dos estudantes. "Hoje o aluno tem que solicitar a bolsa depois de entrar na universidade, queremos que o aluno passe a ter a bolsa já no ingresso", afirma ele.
Questionado se a nova pró-reitoria trabalharia também para aumentar o número de professores negros na USP, Carlotti disse que o órgão não vai se restringir aos estudantes e terá sob seu guarda-chuva toda a comunidade universitária, incluindo docentes e funcionários de apoio.
Ele afirmou ainda que apesar de a nova pró-reitoria trabalhar aspectos de diversidade, não é possível colocar somente nas costas deste novo órgão toda a responsabilidade sobre o tema.
"Essa mudança cultural na universidade deve ser uma preocupação global. O objetivo é que tenhamos no quadro docente a mesma expressão de diversidade que se tem no corpo discente e na sociedade. A diversidade precisa aparecer no corpo docente, porque senão fica difícil justificar uma universidade que seja diferente da sociedade. Essa precisa ser uma meta da USP", afirmou.
Para conseguir atingir esse objetivo, cada unidade de ensino e pesquisa da USP terá um professor responsável por fazer a ponte com a nova pró-reitoria. Esses profissionais terão, segundo Carlotti, um acréscimo salarial compatível com a adição de função.
Ao todo, A USP tem 42 unidades de ensino e pesquisa, 6 institutos especializados e 4 museus espalhadas pelos seus 8 campi (Capital, São Carlos, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Lorena, Bauru e Santos).
No último dia 22 de fevereiro, Carlotti anunciou que a USP deve implantar um sistema de banca de heteroidentificação racial para evitar fraudes. O sistema deve passar a valer no vestibular de 2022-2023.
A universidade passou a adotar o sistema de cotas que usa atualmente em 2017.



