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Turquia diz que Austrália quebrou acordo de co-presidência da COP31; premiê australiano afirma que essa 'não é uma opção'

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Em um novo capítulo da novela sobre quem vai sediar a COP31, a Turquia tem acusado a Austrália de romper um acordo para que os dois países compartilhassem o posto de chefe da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática de 2026.

De acordo com o Ministério de Relações Exteriores turco, em um encontro fechado em Nova York, em paralelo à Assembleia Geral da ONU, em setembro, ambos teriam concordado com um formato de co-presidência para a cúpula.

Segundo os turcos, na época tinha sido estabelecido um "diálogo construtivo" sobre o tema, com os dois lados indicando concordar com uma presidência conjunta e em compartilhar as reuniões entre autoridades. A cidade e o país que sediaria o evento não foram definidos na ocasião.

Posteriormente, porém, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, teria voltado atrás em uma carta enviada ao presidente Recep Tayyip Erdoğan. A informação é de uma pessoa ligada ao ministério de Relações Exteriores da Turquia, que pediu para não ter seu nome divulgado por não ter autorização para falar sobe o assunto publicamente.

Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (17), o premiê foi categórico. "Não iremos co-organizar o evento porque a co-organização não está prevista nas regras da UNFCCC [braço climático da ONU]. Portanto, essa não é uma opção. Todos estão cientes disso, e é por isso que [essa opção] foi descartada".

Uma presidência compartilhada da COP seria algo inédito. Outras edições do evento já foram sediadas em um país, mas presididos por outro: por exemplo, a COP23, em 2017, aconteceu em Bonn, na Alemanha, mas foi chefiada por Fiji, e a COP25, em 2019, ocorrida em Madri, foi presidida pelo Chile. Ou seja, a condução das negociações era de apenas um país.

Apesar da disputa, nem Albanese nem Erdoğan estão em Belém para lidar com o assunto de perto. O pepino diplomático ficou nas mãos de ministros dos dois países, que chegam ao Brasil nesta semana para a etapa final das negociações climáticas, e precisam resolver a queda de braço até o fim da semana.

A falta de uma decisão sobre a sede da COP31 pode atrapalhar a implementação de resultados da COP30.

Isso porque é possível que seja necessário elaborar documentos entre uma conferência e outra, em um movimento de parceria das duas presidências —como aconteceu com o Mapa do Caminho Baku-Belém, que tratou da ampliação do financiamento climático e foi acordado na COP29, no Azerbaijão.

Os líderes de Turquia e Austrália representam diferentes espectros políticos. Albanese é do Partido Trabalhista, de centro-esquerda. Já Erdogan é considerado um representante da direita radical e é alvo de uma série de críticas por sua postura autoritária.

A sede das COPs é decidida com base em um revezamento entre diferentes regiões do mundo. No próximo ano, a vez é do grupo dos chamados Estados da Europa Ocidental e Outros, que inclui a Turquia e a Austrália.

Caso a briga não seja resolvida, a sede passa automaticamente a ser a cidade de Bonn, na Alemanha, casa da UNFCCC —solução que não agrada os alemães, que dizem precisar de mais tempo para organizar a cúpula.

A decisão, na teoria, precisa ser consensual entre os integrantes da região. Mas o grupo poderia decidir fazer isso por meio de uma votação. Essa estratégia é defendida pelo diplomata holandês Yvo de Boer, ex-secretário-executivo da UNFCCC (2006-2010), para resolver a confusão.

"O regimento interno da UNFCCC não abrange a tomada de decisões em grupos regionais", afirmou em uma rede social, sugerindo que seria possível tomar uma decisão por maioria simples. "[Essa disputa] é infantil demais e é prejudicial a todo o processo".

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