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SP cobra Ministério da Saúde por falta de contraste utilizado em exames

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Governo de São Paulo encaminhou ofício ao Ministério da Saúde pedindo providências imediatas para a regularização do abastecimento de contraste nas unidades de saúde do estado.

No último dia 12, o ministério encaminhou uma nota aos estados e municípios em que reconhece "grave risco de desabastecimento de meios de contraste imprescindíveis para a realização de exames e procedimentos" e pediu o uso racional do insumo nas unidades.

Como medidas para o uso racional sugere o adiamento de procedimentos eletivos, a redução do volume de contraste e até aumentar a diluição do insumo quando for possível.

O Brasil vive um apagão de remédios e insumos médicos nos últimos meses devido a dificuldades de importação. Apesar do alerta de diversas entidades, o Ministério da Saúde ainda não encontrou soluções para o desabastecimento generalizado no país.

Em São Paulo, o baixo estoque já levou hospitais a adiar a realização de procedimentos e exames eletivos que necessitam de contraste iodado ou não iodado, como ressonâncias magnéticas, tomografias e cateterismo. O suprimento tem sido reservado para atender casos de urgência e emergência.

O baixo estoque de contraste nas unidades de saúde de São Paulo tem sido observado há ao menos cinco semanas.

Eduardo Ribeiro, secretário-executivo da secretaria estadual, diz que o governo decidiu enviar o ofício após receber uma nota do ministério com recomendações para a "racionalização do uso" do insumo.

"O que o ministério recomenda nós já estamos fazendo. Nossa preocupação é que o governo federal não sinaliza quais ações têm adotado para resolver o problema, se há alguma previsão de recomposição do estoque", diz Ribeiro.

O ofício enviado pelo governo estadual na segunda-feira (18) solicita que o ministério informe em até 48 horas "quais medidas/ações estão sendo realizadas para enfrentamento do problema".

"Nossa parte já estamos fazendo, adiando procedimentos eletivos, espaçando mais os agendamentos. Mas, para não deixar a população desassistida, precisamos de um planejamento melhor, alguma previsão de solução", diz Ribeiro.

Na nota técnica enviada aos estados e municípios, o Ministério da Saúde diz que a "escassez de meios de contraste é global e de grande preocupação" e atribui o desabastecimento ao fechamento de portos na China, com o lockdown para conter a Covid-19.

A China é o principal fornecedor de contrastes para a indústria brasileira, que em geral só envasa o produto para vender às unidades e redes de saúde.

Segundo o ofício do governo paulista, as empresas que fazem o fornecimento de contraste têm sinalizado que a normalização do atendimento a todas as demandas acontecerá apenas no fim deste ano.

"A gente tem monitorado os estoques e feito o remanejamento entre as unidades para não deixar que nenhuma fique desabastecida. Em Sorocaba, por exemplo, houve uma situação mais difícil já e a racionalização foi intensificada para garantir que o atendimento de urgência e emergência continue acontecendo", diz Ribeiro.

Entidades médicas e de gestores da saúde vêm cobrando ações do Ministério da Saúde para solucionar o desabastecimento. Como o problema ocorre por dificuldade de importação, elas sugerem, por exemplo, que o governo federal deveria procurar adquirir remédios e insumos de países vizinhos ou com organizações internacionais.

Nas últimas semanas, pesquisas de entidades mostraram que farmácias e unidades de saúde estão sofrendo com a falta de antibióticos, antialérgicos e analgésicos, medicamentos considerados essenciais.

Questionado pela reportagem sobre a falta de contraste e se tem alguma ação prevista para reestabelecer os estoques no país, o Ministério da Saúde disse que a compra do insumo não é de sua atribuição e que a orientação para o uso racional foi uma "medida para reduzir o desabastecimento".

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