Queiroz, soprano paraense radicada na Alemanha, onde integra o elenco estável da Ópera Estatal de Berlim, canta a obra no Teatro Municipal de São Paulo nesta sexta, 8, e sábado, 9, acompanhada da Orquestra Sinfônica Municipal regida pelo maestro Alessandro Sangiorgi. O programa tem ainda a solar Sinfonia nº 4, Italiana, do compositor Felix Mendelssohn - em outras palavras, um concerto feito de profundos contrastes.
Erwartung pode ser traduzido como Expectativa. Schoenberg a chamou de monodrama e a escreveu em 1909 a partir do poema de Marie Pappenheim, médica vienense especializada em dermatologia, mas com interesse declarado pela psiquiatria. No seu texto, uma mulher caminha pela floresta. A certa altura, depara-se com um corpo. É seu amante. Ela tenta revivê-lo enquanto o acusa de ser infiel. Até seguir seu caminho e se perder na escuridão.
Schoenberg resumiu seu objetivo ao compor a obra: "Representar em câmera lenta o que ocorre em um simples segundo de máxima excitação espiritual, um simples segundo expandido para durar meia hora".
A ideia para a obra dialoga intimamente com o momento em que ela surge. Erwartung mantém uma relação próxima com o expressionismo alemão, em que a percepção subjetiva, normalmente marcada por conflitos brutais, se impõe sobre uma ideia de real.
"Há diferentes maneiras de ler Erwartung. Alguns pensam na personagem à luz da esquizofrenia. Outras pessoas colocam a questão a respeito do assassinato do amante: teria ele sido morto pela própria mulher?", lembra Adriane. "Mas eu não sigo por um caminho naturalista, prefiro pensar a obra à luz da ideia do inconsciente. Todo pensamento tem algo por trás que o sugere e define. E o texto me sugere justamente isso, cada frase evoca algo."
E há, claro, a floresta. "A imagem da natureza está muito presente no século 19, no romantismo. Mas aqui não há nenhuma relação idílica. Não há contemplação. A floresta é ativa, e você faz parte dela. Ela significa a perda de si mesmo em meio às emoções", diz a soprano.
Erwartung
Teatro Municipal de São Paulo. Praça Ramos de Azevedo, s/nº. 6ª (8), 20h; sáb. (9), 17h. R$ 10 a R$ 60. https://theatromunicipal.org.br
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



