Quando os filhos crescem e saem de casa é comum que os pais levem certo tempo para se adaptar a ausência, sobretudo as mães, que geralmente são mais apegadas. Mas quando esse tempo se prolonga e vem acompanhado de uma tristeza constante e desestruturação familiar, é preciso ficar atento, pois os pais podem estar sofrendo de Síndrome do Ninho do Vazio.
Essa síndrome é caracterizada pela interrupção das tarefas cotidianas , sentimentos depressivos, sensação de impotência, perda e dependência, como explica a psicóloga do Hapvida, Sarah Lopes:
“Os sintomas são muito semelhantes à depressão, porém, neste caso, existe uma sensação de inutilidade que é direcionada especialmente para a responsabilidade e o papel dos pais na vida dos filhos. Geralmente, a síndrome do Ninho Vazio tende a terminar quando os pais voltarem a restabelecer a sua rotina sem a presença dos filhos, ou ainda, com a chegada dos netos no ambiente familiar”.
Ela explica que quando esses sentimentos negativos persistem por muito tempo (mais de seis meses), há risco de se desenvolver um quadro de depressão. Por isso, o mais indicado é que após a saída dos filhos de casa, os pais procurem preencher seu tempo com atividades que proporcionem bem-estar físico e mental. Uma caminhada, encontro com os amigos, jantar a dois, tudo isso pode ajudar a suprir essa falta.
A psicóloga destaca também outras ações importantes que podem ajudar nesse processo de transição: “Para minimizar os efeitos, o ideal é que os filhos programem um almoço semanal onde todos possam se encontrar. Os pais devem estabelecer meios de lazer sem que os filhos necessariamente precisem estar envolvidos, ou seja, começar a reestruturar as suas vidas de forma também independente, saber que neste momento precisam estar voltados para o aproveitamento do casal ou para fazer coisas que sempre tiveram vontade e, por causa dos filhos, acabaram abdicando desta realização”.
Durante o processo de adaptação, é fundamental que pais e filhos entendam que cortar o “cordão umbilical” ou diminuir o contato sempre será algo doloroso, mas necessário. E que quanto antes todos retomarem suas rotinas e seguirem adiante, mais rápido e fácil essa fase será superada.

