RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro faz, nesta terça-feira (1º), a Operação Freedom contra os Guardiões do Crivella, uma referência ao prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). O alvo é um grupo de servidores públicos que fazem serviço ilegal na porta de hospitais municipais. O esquema, que tenta atrapalhar o trabalho da imprensa e impedir queixas da população, foi denunciado na segunda-feira (31) em reportagem da TV Globo. O PSOL, por meio da deputada estadual Renata Souza e de sua direção, ingressou nesta terça-feira com um pedido de impeachment do prefeito Marcelo Crivella na Câmara dos Vereadores. Para o partido, a denúncia da existência de grupo "Guardiões de Crivella" configura flagrante inobservância dos princípios da probidade administrativa, em especial da honestidade, imparcialidade e legalidade, além de possível crime de responsabilidade. O presidente da Câmara de Vereadores do Rio, Jorge Felippe (DEM), decidiu levar o pedido de impeachment ao plenário na próxima quinta-feira (3). Para que o pedido seja acolhido e, portanto, o processo tenha prosseguimento na Casa, é necessário o voto favorável da maioria dos vereadores presentes na sessão. Já a vereadora Teresa Bergher (Cidadania) disse que pretende apresentar um pedido na Casa municipal para instaurar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o caso. A ação policial visa o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão. Segundo a Draco-IE (Delegacia de Repressão a Crimes Organizados e Inquéritos Especiais), são investigados os crimes contra a segurança de serviço de utilidade pública, associação criminosa e advocacia administrativa. As penas por esses crimes, somadas, podem chegar a 9 anos de prisão. Os mandados foram expedidos pelo juízo do plantão noturno do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro a pedido de delegados da Draco-IE. De acordo com a Polícia Civil, um dos mandados de busca seria no morro da Mangueira, na zona norte da cidade, e por conta de decisões judiciais, que restringem as ações das polícias em comunidades, não poderá ser cumprido. Um dos alvos da operação é Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o ML, que aparece em grupos de WhatsApp dando ordens aos assessores. Com ele, agentes apreenderam notebooks, celular, dinheiro, cheques, contratos e um pacote escrito "Crivella". Desde 2017, Marcos Luciano é assessor especial do gabinete do prefeito. Em julho, o salário foi de R$ 10,5 mil. Em 2018, ele ganhou uma moção de aplausos e louvor na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a pedido da deputada estadual Tia Ju (Republicanos), o mesmo partido de Crivella, que atualmente é secretária de Assistência Social e Direitos Humanos da Prefeitura do Rio. Segundo a polícia, os funcionários da prefeitura, sob a orientação do gabinete do prefeito, fazem plantão na frente dessas unidades de saúde e atuam como seguranças. Esse grupo de servidores tem escalas diárias, horários rígidos e ameaças de demissão. Por meio de nota, a Prefeitura do Rio informou que reforçou o atendimento em unidades de saúde municipais no sentido de melhor informar à população e evitar riscos à saúde pública, como, por exemplo, quando uma parte da imprensa veiculou que um hospital [no caso, o Albert Schweitzer] estava fechado, mas a unidade estava aberta para atendimento a quem precisava. De acordo com a prefeitura, uma falsa informação pode levar pessoas necessitadas a não buscarem o tratamento onde ele é oferecido, causando riscos à saúde. Questionada sobre a participação dos servidores públicos nesta ação na porta dos hospitais, a prefeitura não havia se manifestado nesta terça. A defesa de Marcos Luciano ainda não foi localizada pela reportagem.