RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Com enredo sobre resistência dos povos negros, o Salgueiro levou para a Sapucaí uma constelação de artistas ligados à luta contra o racismo.
É o caso da atriz Cacau Protásio, que desfilou pela escola depois de alguns anos afastada.
"O desfile foi maravilhoso. Eu voltei para o Salgueiro, que é a minha escola do coração. Já desfilei pelo Salgueiro há anos, quando era mais nova. Agora, sinto que estou voltando para casa feliz da vida."
Para ela, o enredo da escola tem grande importância. "A gente luta todos os dias. A gente está aqui, o mundo é nosso e nós temos direitos", disse a atriz.
A atriz e cantora Lellê, que também desfilou pela escola, faz coro a essa opinião. "Esse enredo me toca de uma forma muito profunda. Resistência é significado do meu trabalho desde sempre. Então faz todo o sentido para mim."
Já Sandra de Sá diz que o enredo é pertinente em razão da luta contra o racismo estrutural.
"É resistência, brother. Está falada e cantado", diz a cantora. "Foi bom demais. Vamos se ligar: É hora da crioleba. O Carnaval foi da crioleba e o mundo está da crioleba."
O refrão do samba-enredo do Salgueiro deste ano cativou o público e fez os foliões vibrarem toda vez que os puxadores da agremiação entoavam os versos, que dizem: "Salgueiro, Salgueiro. Amor que bate no peito da gente. Sabiá me ensinou: sou diferente."
O samba busca celebrar as lutas travadas pelas populações negras. Quem dá vida aos versos são Emerson Dias e Quinho, os intérpretes da escola.
Embalados pelos versos, os foliões pulavam e balançavam bandeiras com as cores da escola -o vermelho e o branco.



