SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O ex-policial militar Ronnie Lessa, condenado a 78 anos de prisão pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, foi transferido neste sábado (22) de unidade prisional.
Transferência ocorreu após determinação do STF (Supremo Tribunal Federal). Lessa estava detido na Penitenciária 1 de Tremembé, no interior de São Paulo, desde junho de 2024. Antes da passagem pela unidade prisional paulista, ele passou pelo Presídio Federal de Campo Grande (MS).
Polícia Penal paulista diz que entregou a custódia de Lessa à Polícia Federal por volta das 11h. Ele foi deixado no aeroporto de São José dos Campos, também no interior paulista, e levado de avião até Brasília, informou a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) de São Paulo ao UOL.
Não foi informado para qual penitenciária Lessa foi levado. A reportagem tenta contato com a Polícia Federal e o STF. O texto será atualizado tão logo haja manifestação. A defesa do ex-policial também foi procurada, mas não respondeu aos questionamentos até a última atualização desta reportagem.
Condenação de Ronnie Lessa
Lessa foi condenado por atirar e matar a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e o motorista dela, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. Além dele, o ex-sargento da PM Élcio de Queiroz, que dirigiu o veículo e perseguiu o carro das vítimas, também foi condenado após júri no Rio de Janeiro.
O executor de Marielle Franco foi condenado a 78 anos e nove meses de reclusão e 30 dias-multa. Élcio de Queiroz, por sua vez, foi condenado a 59 anos e oito meses, além de dez dias-multa.
Em delação premiada à Polícia Federal, Lessa apontou conselheiro do TCE e político como mandantes do crime. Ele afirmou que foi contratado por Domingos Brazão, conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), e por Chiquinho Brazão, deputado federal, para assassinar a vereadora. Os irmãos Brazão negam envolvimento no crime.
Ele também apontou envolvimento de delegado com o caso. Lessa também disse à polícia que o delegado Rivaldo Barbosa, que assumiu a chefia da Polícia Civil um dia antes do crime, recebeu propina para proteger os atiradores e os mandantes dos assassinatos. O delegado também nega qualquer participação no crime.
Motivação do assassinato foi a grilagem de terras na Zona Oeste da capital fluminense. No júri, o atirador afirmou que a ação ocorreria no bairro Tanque. Segundo ele, Marielle se opôs numa discussão na Câmara dos Vereadores sobre um texto que previa flexibilizar exigências legais, urbanísticas e ambientais para a regularização de imóveis.


