RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos principais polos de saúde do interior do país, Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) apresenta o pior índice de ocupação de leitos exclusivos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tratamento da Covid-19 de São Paulo. Com 91,4% de ocupação, o departamento regional de saúde (DRS) de Ribeirão --que concentra cerca de 1,5 milhão de habitantes, quase metade deles na cidade-- permaneceu na fase vermelha do plano São Paulo, a mais restritiva, conforme anúncio feito nesta sexta-feira (24) na capital. Além dela, só as regiões de Franca e Piracicaba seguem na fase vermelha --a ocupação de UTIs está acima de 80%. Por isso, todas as atividades comerciais não essenciais estão proibidas, e a prefeitura publicará novo decreto ampliando a quarentena até o dia 2 de agosto. Até esta sexta (24), a cidade chegou a 319 óbitos por Covid -19, nove delas registradas no intervalo de 24 horas, e 11.963 casos do novo coronavírus. A manutenção da cidade na fase vermelha do plano de reabertura gerou descontentamento do Sincovarp (Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto) e da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), que pediram que a reabertura das atividades econômicas ocorra "de forma urgente sob pena de vermos agravada, ainda mais, a severa crise socioeconômica que já atinge Ribeirão Preto e região". Segundo as entidades, o prolongamento da quarentena vai gerar grande queda de arrecadação para os cofres públicos municipais e pode comprometer salários de servidores e até o combate à Covid-19. "Entendemos que não adianta apenas Ribeirão adotar medidas ainda mais restritivas, penalizando o setor produtivo que já vem dando grande cota de sacrifício, se os demais municípios da DRS-13, e seus moradores não fizerem sua parte no sentido de proteger vidas e melhorar os indicadores", diz trecho do comunicado. Ribeirão lançou nesta quinta-feira (23) um painel online com a situação de todos os leitos de UTI e enfermaria para tratamento do novo coronavírus em todos os hospitais públicos e privados da cidade. Na noite desta sexta, a ocupação das UTIs estava em 87,75%, com 179 dos 204 leitos em uso. Há também 129 respiradores sendo utilizados. Apesar de o índice ter recuado ligeiramente em relação à média apontada pelo estado, há unidades hospitalares em que a ocupação é ainda mais crítica. Nos hospitais Beneficência Portuguesa (12 leitos), Santa Casa (14) e São Paulo (5), a ocupação era de 100% nesta sexta. No Hospital Unimed, 17 dos 18 leitos estão em uso (94,44%) e, no São Lucas Ribeirânia, 94,12% (32 dos 34 leitos têm pacientes). Já no Hospital das Clínicas da USP, o índice é de 86,27% em UTIs. Dos 51 leitos disponíveis, 44 têm pacientes. Até mesmo o municipal Santa Lydia, que passou a receber pacientes da Covid-19 nesta semana, já tem 80% dos leitos em uso (12 dos 15 que estão disponibilizados). Os pacientes com outras doenças foram transferidos para que o hospital atendesse exclusivamente casos de Covid-19. Outros cinco leitos devem ser abertos nos próximos dias. O prefeito Duarte Nogueira (PSDB) disse que, exceto a ocupação de leitos, Ribeirão evoluiu nos outros indicadores considerados pelo estado na definição da fase em que a região se encontra e que novas vagas de UTI surgirão nas próximas semanas para desafogar o sistema hospitalar. Na variação do número de casos, a região está na fase verde e, nos indicadores de internações, na amarela. A variação de óbitos, por sua vez, está na fase laranja, a segunda mais restritiva. "Entendo que muitos estão apreensivos, nervosos, preocupados, passando por dificuldades financeiras nesse momento em que várias atividades no comércio estão fechadas. Peço a todos vocês paciência para que possamos atravessar essa etapa, que não tem sido fácil para ninguém", disse o prefeito, que na última semana foi alvo de protesto violento de comerciantes. A média diária de casos na cidade, que em junho foi de 202, está em 168 em julho, e o índice de positividade dos exames baixou de 78% dos testados para 50%. "Para que a economia volte, vamos unir toda a população de Ribeirão para que esse vírus, que não tem remédio e não tem vacina, pare de circular com tanta intensidade em nossa cidade, como graças a Deus começamos a perceber nos últimos dias", disse. Os novos leitos, 38, estão previstos para as próximas semanas nos hospitais Santa Lydia (10), HC (18) e Ribeirânia (10), de acordo com a prefeitura.
