SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta quarta-feira (12), durante a COP30, em Belém, no Pará, cinco novas operações de crédito do Fundo Clima Florestas voltadas à restauração e à implantação de sistemas agroflorestais.
Os contratos somam R$ 912 milhões e têm a perspectiva de gerarem R$ 3,1 bilhões em investimentos totais, considerando as contrapartidas previstas pela iniciativa privada.
Os contratos são firmados com referências do setor empresarial brasileiro. No grupo há empresas ligadas ao BTG, um dos maiores banco de investidores da América Latina; ao Pátria Investimentos, gestora consolidado no desenvolvimento de participações em empresas; e ao Re.green, que há poucos dias recebeu, na categoria "Proteger e Restaurar a Natureza", o Earthshot Prize 2025, prêmio criado pelo príncipe William que ficou conhecido como o "Oscar da Sustentabilidade.
"A restauração florestal virou uma agenda econômica concreta no Brasil", afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. "Estamos combinando crédito competitivo, ciência, inovação e parcerias com o setor privado para gerar emprego, renda e recompor a biodiversidade."
A Re.green fechou um segundo contrato com o banco público e vai receber R$ 250 milhões para restauração e de espécies nativas em 19 mil hectares distribuídos entre a amazônia e a mata atlântica. A empresa já havia recebido R$ 187 milhões em 2024 e soma agora R$ 437 milhões em crédito do Fundo Clima. Os projetos devem empregar 3.000 pessoas e evitar a emissão de 1,27 milhão de toneladas de CO₂ equivalente por ano.
O BTG Pactual, por meio da Camapuã Agropecuária, obteve R$ 200 milhões para restaurar e proteger 49,4 mil hectares no cerrado, em Mato Grosso do Sul. O empreendimento prevê a criação de 36 milhões de créditos de carbono e tem parceria com a Universidade Federal de Viçosa e a Conservação Internacional.
O Pátria Investimentos também fechou acordo para recebr R$ 200 milhões voltados à implantar SAFs (Sistemas Agroflorestais) em áreas degradadas da Bahia, Espírito Santo e São Paulo. A iniciativa integrará culturas de cacau, café e abacate com espécies nativas da mata atlântica, com foco em regiões de baixo IDH, como o Vale do Ribeira.
A Tree+, empresa do Grupo Lorentz, criador da antiga Aracruz Celulose, recebeu R$ 152 milhões para recuperar 15 mil hectares de mata atlântica no norte e no sul fluminense. O projeto inclui o plantio de espécies nativas, recomposição de áreas de preservação e formação de corredores ecológicos.
A Flona Irati Florestal, do Grupo Ibema, teve R$ 110 milhões aprovados para restaurar a Floresta Nacional de Irati, no Paraná a primeira concessão florestal federal do bioma mata atlântica estruturada pelo BNDES. O projeto, que conta com a Suzano entre os acionistas, inclui remoção gradual de espécies exóticas, plantio de nativas e ações de capacitação e ecoturismo.
Segundo Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, as novas operações consolidam o Fundo Clima como um instrumento estratégico da transição ecológica. "Estamos mostrando que o Brasil pode gerar riqueza e prosperidade reconstruindo suas florestas", afirmou.
Os cinco aportes fecham a soma de R$ 7 bilhões aplicados em florestas brasileiras com apoio do BNDES nos últimos dois anos. Ainda na cúpula dos líderes, que antecedeu a COP30, Mercadante antecipou o anuncio. Os recursos permitem o plantio de 283 milhões de árvores e a captura de 54 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera. "O Brasil tem todas as condições de liderar a nova economia da floresta e transformar o arco do desmatamento no arco da restauração", disse ele.

