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Proteção contra Covid fica vuInerável sem reforço da vacina, dizem especialistas

Por Folha de São Paulo

20/04/2024 13h00 — em
Variedades



RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O atraso na compra de imunizantes e o adiamento da campanha de vacinação contra Covid pelo governo federal, que era prevista para este mês, podem representar um aumento da vulnerabilidade da população brasileira ao vírus na estação de outono e inverno que se aproxima.

Com maior circulação de viroses, o período, somado à falta de doses de reforço (sobretudo para idosos e pessoas com comorbidades), pode provocar novos surtos de internações e mortes pela doença. Alguns estados já estão sem doses, mas o ministério afirma que deve fechar o contrato nos próximos dias.

A campanha de vacinação dos grupos prioritários estava prevista para começar neste mês, mas a compra emergencial de 12,5 milhões de doses, disputada por Pfizer e Moderna, travou no Ministério da Saúde.

Após publicação da Folha de S.Paulo relatando o atraso, a pasta informou na noite da última sexta-feira (19) que fechou a compra emergencial de 12,5 milhões de doses. Este lote deve chegar à população nos próximos 15 dias, diz a Saúde. Após essa etapa, a previsão é que as novas doses sejam distribuídas aos estados em um intervalo de 10 a 12 dias.

A retomada da Covid vem preocupando profissionais de saúde desde o começo do ano, quando houve uma alta significativa dos casos. Apenas entre janeiro e fevereiro de 2024, a média móvel de pacientes com Covid subiu 154% com relação ao mesmo período do ano passado.

Natan Chehter, clínico geral e geriatra membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e do Hospital Estadual Mário Covas, destaca que, assim como a o vírus influenza, causador da gripe, a Covid tem um prazo certo para manter a imunidade. "O vírus têm apresentado mutações e a imunidade que a pessoa tem para uma determinada variante não se sustenta para outro. Ela pode, eventualmente, ter novos sintomas da doença", afirma o médico.

Segundo o clínico, o esperado é que a imunidade dos já vacinados ainda seja suficiente para uma resposta imune melhor que a dos não imunizados. "Por isso foi tão importante ter se vacinado no começo, mas, lógico, os idosos e a população de risco fazem respostas imunes com mais atraso e de grau menor que os jovens. Então a vacina nova tem o sentido de fazer um novo estímulo, para o sistema imune entender que ele precisa manter a guarda alta para novas infecções", reforça Chehter

Vacinas como a da Covid, segundo o médico Celso Granato, infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, tem durabilidade de imunização curta, limitando-se a algo em torno de um ano, e precisam ser atualizadas periodicamente.

"À medida que o tempo vai passando e o vírus vai mudando, essa proteção tende a cair cada vez mais, mesmo que a pessoa tenha tomado uma vacina dupla", afirma Granato.

A gravidade do risco cresce também conforme a idade aumenta e, a partir dos 65 anos, fica cada vez mais perigoso uma infecção do coronavírus, pois esse grupo têm mais chances de ter as formas mais graves da doença. A situação piora se o paciente for acometido por mais de um vírus.

"Ainda temos um número muito grande de casos de Covid. E aqui no laboratório, a gente tem visto [pacientes com até] três viroses ao mesmo tempo: dengue, influenza gripe e Covid", conta o infectologista.

Granato alerta que, independentemente de campanhas, todos precisam estar atentos ao calendário vacinal. "Houve uma questão de desvalorização da vacina da Covid, mas, hoje, a gente sabe muito bem que ela evitou muitos casos graves e mortes, mudando a história da doença para a humanidade", diz.

A primeira regra para evitar entrar para as estatísticas da Covid em 2024 é, portanto, atualizar a vacinação, especialmente a de idosos. "Sobretudo agora que entramos em uma época um pouco mais fria, Outono, e, daqui a pouquinho, Inverno, as pessoas devem se proteger. Se estiverem em dúvida, é só levar a carteirinha ao posto de saúde", afirma Granato.

Ele recomenda o uso da máscara em transporte público e em espaços com aglomerações como prevenção. "Na dúvida, volte a usar máscara. Serviu muito, ao lado da vacina, para evitar formas mais graves da doença", diz Granato.

De acordo com Chehter, não é ainda necessário pensar em isolamento, mas os grupos de risco devem ser prudentes em relação ao coronavírus na atual situação. "Realmente tem uma circulação maior do vírus à medida que o frio se aproxima e as pessoas ficam mais aglomeradas. Evite lugares lotados, faça a higiene das mãos. Funciona não só para Covid, mas para todos os vírus respiratórios", pontua o geriatra.


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