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Procuradoria vai investigar operação na Vila Cruzeiro que matou ao menos 21

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Ministério Público Federal vai apurar eventuais violações de direitos durante operação conjunta da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal que terminou com ao menos 21 pessoas mortas na Vila Cruzeiro, comunidade da zona norte do Rio.

O órgão afirma que pediu em caráter de urgência aos superintendentes da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal informações sobre efetivo que participou da operação desta terça-feira (24), com cópia de suas respectivas fichas funcionais e relatório final sobre a ofensiva.

David Gomes Lobo, liderança da Faferj (Federação das Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro), diz que recebeu denúncias de moradores sobre indícios de execução nos corpos.

"Há relatos de pessoas assassinadas que foram esfaqueadas, inclusive há imagens disso. Morte com faca não acontece em situação de confronto, portanto foi uma execução", diz ele, acrescentando que há mais vítimas do que o estimado na área onde houve o tiroteio.

"Tem vários corpos na região da mata, entre os complexos da Penha e do Alemão, que a gente não conseguiu acessar com instituições de direitos humanos por causa da operação."

A vereadora Tainá de Paula (PT), que esteve na Vila Cruzeiro nesta terça-feira, disse que ainda há relatos de pessoas feridas na mata. Segundo essas informações, os feridos têm enviado mensagens a familiares desde a madrugada, mas não conseguem sair do local com receio de serem mortos pela polícia.

A vereadora também afirmou que viu o corpo de um homem, estirado no meio da favela, com diversas perfurações e um pó branco semelhante a cocaína espalhado pela boca. A reportagem teve acesso a fotos do corpo, envolvido em uma manta e deitado sobre o chão, com sangue na região do nariz e um pó branco sobre a boca e o queixo. As imagens não serão publicadas para preservá-lo.

A Ouvidoria e o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro foram à favela para coletar informações e fornecer auxílio. Em nota, o órgão disse que "os moradores pedem socorro enquanto relatam desespero, angústia e muito medo" e que escolas, aparelhos públicos e o comércio local estão fechados.

A Defensoria afirma, ainda, que está "solicitando ao Ministério Público e aos órgãos de controle interno da atividade policial a adoção de todas as medidas para interrupção da violência no local e garantia de investigações das mortes e violações".

Segundo Lobo, membros das comissões de direitos humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) não conseguiram entrar na comunidade para falar com as famílias das vítimas.

"Infelizmente, não conseguimos subir. Era um tiroteio muito intenso. Aí voltamos para a associação de moradores, que foi o local onde a gente conseguiu se reunir para traçar estratégia."

Mortes Segundo a assessoria do Hospital Getúlio Vargas, o total de mortos já chega a 20 pessoas, além de 7 feridos. A conta não inclui uma moradora identificada como Gabrielle Ferreira da Cunha, 41.

De acordo com a Polícia Militar, ela foi baleada na localidade conhecida como Chatuba, comunidade vizinha à Vila Cruzeiro, durante o confronto. A corporação diz que os demais mortos são criminosos. Assim, no total, são 21 mortos no total.

Segundo a PM, a operação desta terça foi feita em conjunto com Polícia Rodoviária Federal e tinha como objetivo localizar e prender lideranças criminosas que estariam escondidas na comunidade, inclusive vindos de outros estados, como Alagoas, Bahia e Pará.

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