SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo Élida Graziane diz ter notado nos dados de repasses de verbas da Saúde para estados e municípios um possível "efeito Gilmar Mendes", em alusão às críticas feitas pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) à gestão de Eduardo Pazuello. Nesta quarta-feira (15), o Ministério da Saúde liberou R$ 4,977 bilhões para estados e municípios para o combate ao coronavírus. O valor, segundo notou a procuradora, equivale a 42% de tudo o que havia sido liberado até então, desde 18 de março, quando Jair Bolsonaro baixou o decreto de calamidade pública em razão do coronavírus. "A pressão do Ministro Gilmar Mendes parece ter chegado à execução orçamentária do Ministério da Saúde", escreveu Élida em uma rede social. O repasse coincidiu com o aniversário de dois meses do general Pazuello no cargo. Em live nesta quinta (16), sobre pacto federativo e as finanças estaduais, o ministro Gilmar Mendes comentou conversa que teve com o economista José Roberto Afonso, especialista em contas públicas, sobre a liberação de verbas da véspera. "Zé Roberto me chamava atenção, que talvez um subproduto dessa querela com o Ministério da Saúde ou com a gestão do Ministério da Saúde é que nós tivemos de súbito a liberação de recursos que estavam travados. Se disse brincando que era efeito positivo da polêmica Gilmar x Ministério da Saúde", afirmou Gilmar. "Não é possível que essas coisas ocorram ao acaso, é preciso que haja regularidade, fundamentalmente na área da saúde", concluiu o ministro.



