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Prisão de Colorido coloca em risco comando de Marcola no PCC, diz Ministério Público de SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A prisão de Valdeci Alves dos Santos, 50, o Colorido, ocorrida neste final de semana no interior do Pernambuco, pode ter impacto na organização interna do PCC e colocar em risco o próprio comando de Marco Camacho, o Marcola, condenado a mais de 300 anos de prisão e apontado como o número 1 da facção criminosa.

A avaliação é do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, membro do Ministério Público paulista e integrante de grupo de combate ao crime organizado. Para ele, o risco existe porque Colorido dividia, nas ruas, o controle da facção com Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, que deve assumir todo o controle da facção.

O PCC tem estrutura de comando piramidal e somente integrantes da cúpula podem tomar decisões importantes, como autorizar assassinato de autoridades e de integrantes do grupo ou, até, desencadear ataques a forças de segurança, como ocorreu em São Paulo em 2006 e 2012.

Entre os dois que detinham esse poder, ainda segundo o promotor, o primeiro tem total confiança de Marcola, por isso teria sido escolhido como uma espécie de preposto do chefe do PCC, internado no sistema federal desde o início de 2019. Já Tuta, ainda conforme Gakiya, não seria tão próximo e tão fiel assim a Marcola quanto o colega preso. Daí, o risco.

"Isso daí, na minha opinião, complica a situação do Marcola porque ele perde um líder que ele colocou lá nessa função para dividir o poder com o Tuta, um cara das antigas, cara respeitado no mundo do crime. E aumenta o poder do Tuta", disse Gakiya.

Com um poder tão grande, ainda segundo a tese defendida pelo promotor, Almeida poderia ficar tentado em querer tomar o posto de Marco Camacho na facção. "Existe grande possibilidade de Tuta não devolver esse poder ao Marcola, é o que a gente suspeita. Haja vista as mortes que tem ocorrido nas ruas, de integrantes importantes, todas elas determinadas pelo Tuta."

Lincoln se refere a série de mortes ocorrida na zona leste da capital desde o final do ano passado, incluindo de Anselmo Becheli Santa Fausta, 38, o Magrelo, e Antônio Corona Neto, 33, o Sem Sangue, assassinados em dezembro de 2021 a poucos metros da praça 20 de Janeiro, no Tatuapé, onde a cabeça de um homem foi encontrada tempos depois. As mortes fariam parte de uma guerra interna.

A avaliação do promotor não é, porém, unânime quanto a possibilidade de Tuta tentar dar um "golpe" no chefão do PCC. Para integrantes da polícia e da inteligência do governo paulista, Tuta realmente assume sozinho o comando do grupo nas ruas, mas o poder de Marcola continua intocável.

Marco Camacho, o Marcola, apontado pela polícia e Ministério Público como o número 1 do PCC Sergio Lima/AFP **** Assim, ainda na avaliação desses setores, a prisão de Colorido não deve ter efeitos significativos na organização do PCC -a não ser limitar a uma só pessoa poderes de decisão nas ruas, enquanto a chamada "sintonia final" estiver incomunicável no sistema federal.

A prisão de Colorido ocorreu no último sábado pela Polícia Rodoviária Federal. Ele estava foragido desde 2014, quando foi autorizado pela Justiça a progredir para o regime semiaberto e, após conseguir a primeira saída temporária em agosto daquele ano, abandou o regime e tornou-se foragido.

De acordo com a polícia, o agora capturado é apontado como um dos principais fornecedores de drogas para os estados da região Sudeste. Santos também é conhecido por Pintado, Vermelho, Prateado e Tio.

Bruno Ferullo, advogado de Colorido, disse que as acusações do Ministério Público são "infundadas" e afirmou que seu cliente não é traficante e não tem ligação com o crime organizado. "Quanto aos processos que estão em andamento será demonstrado sua inocência ao longo da instrução e ou até o trânsito em julgado", afirmou ele em nota.

Tuta é considerado foragido pela polícia e sua defesa não foi localizada pela Folha. Contra ele, há um mandado de prisão preventiva ainda em aberto desde setembro de 2020, expedido dentro da operação Sharks (tubarões). A investigação tinha como alvo lideranças da facção paulista atuando nas ruas e, na época, Tuta já era apontado pela Promotoria como "novo Marcola".

Além dele, a Justiça também expediu, na época, outros 11 mandados de prisão contra suspeitos de serem os responsáveis pela contabilidade do PCC (cerca de R$ 100 milhões) e, também, pela logística do tráfico de drogas para o mercado interno e externo. Tuta era o principal nome da lista.

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