SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O desempregado José Lucas Domigo Alves, 23, preso sob suspeita de envolvimento na morte do advogado Luiz Fernando Pacheco, no início do mês em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, é réu por tentativa de feminicídio contra a ex-mulher.
O caso ocorreu na madrugada de 20 de novembro de 2022 em um imóvel no bairro de Iguatemi, no extremo da zona leste da capital paulista. O casal, que permaneceu em união estável por três anos, tem um filho pequeno. A reportagem não localizou a defesa de Alves.
Conforme a denúncia do Ministério Público, que tem como base depoimento da vítima, Alves teria invadido o imóvel em que a mulher morava com os filhos e a feriu com uma faca no pescoço e na perna. Na sequência teria dado socos no rosto, na cabeça e nos braços da mulher. Ele também teria tentado asfixiá-la, apertando o pescoço dela. A mulher ainda foi pressionada contra a parede.
Em junho deste ano a Promotoria solicitou a prisão preventiva de Alves com o argumento de suposto perigo de reincidência. A Justiça negou o pedido.
O barulho da confusão chamou a atenção de um vizinho, que entrou na casa. Com a chegada do homem, Alves fugiu. Aos policiais a mulher contou que o ex-marido não tinha a chave da casa, mas que o portão poderia ser facilmente forçado.
As agressões deixaram ferimentos pelo corpo da vítima. Um laudo comprovou lesões de natureza leve. O caso, que chegou a ser tratado pela polícia como invasão de domicílio e lesão corporal, passou a ser visto como tentativa de homicídio, o que fez o processo passar para uma das varas do Júri.
Alves foi formalmente acusado em setembro de 2024. Para a promotora Thais Vasconcelos Sepulveda, o homicídio apenas não se consumou por circunstâncias alheias à vontade de Alves. A Promotoria acrescentou que a ação foi motivada por gênero, em circunstância de violência doméstica, e na presença de filhos.
O inquérito policial traz a informação de que o denunciado usaria álcool e drogas e que não teria sido a primeira agressão contra a ex-companheira.
A Polícia Civil realizou buscas para tentar ouvir a versão de Alves, mas o paradeiro era desconhecido.
Dias após o pedido de prisão preventiva pela promotora, ainda em junho, o juiz Roberto Zanichelli Cintra argumentou que passados dois anos do fato inexistiam indícios de que o homem tinha voltado a importunar a vítima.
"Por fim, não se pode ignorar que o acusado é primário e não ostenta outras anotações em sua folha de antecedentes, circunstância que autoriza inferir sua ausência de familiaridade com o meio criminoso e de potencial reiteração delitiva", escreveu Cintra no despacho.
Na mesma data o juiz determinou a suspensão do curso do processo e do prazo prescricional.
Não se sabia o paradeiro de Alves até ele ser preso neste mês sob suspeita de envolvimento na morte de Pacheco. Assim que o Ministério Público soube da detenção, pediu que fosse citado em sua atual localização, a carceragem do 8° DP (Brás).
José Lucas Domigo Alves foi preso junto aos namorados Lucas Brás dos Santos, 27, e Ana Paula Teixeira Pinto de Jesus, 45, sob suspeita de envolvimento na morte do advogado na madrugada de 1 de outubro. Lucas e Ana Paula foram filmados por uma câmera de segurança abordando Pacheco, que foi agredido no cruzamento das ruas Itambé e Maranhão.


