BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, anunciou neste sábado (22) que irá formular um roteiro para o fim dos combustíveis fósseis por iniciativa própria. A ideia parte depois de o tema ficar de fora do texto final acordado pelos países por ter sido embargado por economias produtoras de petróleo contrárias à discussão.
"Nós precisamos de mapas para que possamos ultrapassar a dependência dos fósseis de forma ordenada e justa. Eu vou criar dois mapas: um para reverter desmatamento e outro para fazer transição para longe dos fósseis de maneira equitativa e justa", anunciou.
O embaixador foi muito aplaudido no momento do anúncio. Em seguida, afirmou que os esforços serão liderados pela ciência e serão inclusivos. "Vamos ter diálogos de alto nível com organizações internacionais, países produtores e consumidores, trabalhadores, acadêmicos e sociedade", disse.
Lago fez um aceno especial à Colômbia, que se mostrava intransigente ao demandar uma menção ao roteiro antifóssil no documento final. O embaixador disse que as discussões serão beneficiadas por um evento a ocorrer no país latino em abril do ano que vem.
O presidente da COP anunciou a tarefa depois de reconhecer a frustração de muitos pela falta de menção aos fósseis nos textos finais da conferência. "Sei que muitos estão cansados, mas é meu dever ressaltar certas discussões importantes que irão continuar sob a presidência do Brasil mesmo que não estejam refletidos nos textos aprovados", disse Lago.
"Sabemos que muitos de vocês tinham mais ambição para alguns temas e que a sociedade vai exigir mais. Eu prometo que vou tentar não desapontar vocês", disse.
A criação de um roteiro contra o fim dos fósseis foi citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Cúpula do Clima, que antecedeu a COP. O objetivo é criar um plano concreto para o fim do uso de petróleo, gás e carvão. Mas a discussão gerou embate acalorado e tenso na COP30, a conferência sobre mudança climática das Nações Unidas, e foi retirado do principal texto em negociação.
O diagnóstico dos representantes brasileiros ouvidos pela Folha é que o conjunto de países que se opunham ao roteiro antifósseis era intransigente e ameaçava bloquear todo o desfecho da conferência. Enquanto isso, a maioria dos integrantes do bloco que defende o mapa do caminho é mais flexível e demonstra que aceitaria um cenário sem a menção em troca do avanço das negociações.
A decisão então foi retirar a menção aos fósseis dos documentos que precisam de acordo e tomar a iniciativa de oferecer um mapa do caminho por iniciativa da própria presidência brasileira, o que não demanda votação nem aprovação dos demais países. Mesmo não se tornando um item da chamada agenda mandatada (aquela acordada pelas partes), o documento pode servir de referência para todas as futuras discussões sobre o tema.



