SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de São Paulo reduziu em 8,39% a frota de ônibus em circulação na capital a partir desta quinta-feira (25). A medida foi tomada após avaliação dos índices de lotação dos veículos. Mesmo assim, passageiros ainda precisaram lidar ônibus cheios. A administração disse que tem feito monitoramentos constantes e mantido a frota de veículos bem acima da procura de passageiros. A redução será aplicada em linhas com oferta superior à demanda existente e nenhuma delas será excluída, afirma a gestão. Com a mudança, 10.791 coletivos permanecem em circulação. Isso corresponde a 84% da frota total antes da quarentena. Segundo a gestão Bruno Covas (PSDB), a readequação "vai priorizar o atendimento em bairros mais afastados do centro, onde está maior concentração de casos de Covid-19 e síndromes respiratórias", diz. A medida não afeta linhas do subsistema local de distribuição, que operam nos bairros. Em nota, a SPTrans disse que "seguirá monitorando a demanda de passageiros e a oferta, para realizar os ajustes operacionais quando constatada a necessidade". SUPERLOTAÇÃO Por volta das 7h20 desta quinta-feira, a supervisora de atendimento Luana de Castro Jordão, 38 anos, saiu da Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, com destino a região central. Ela utiliza a linha 407L-10 (Barro Branco - Metrô Guilhermina Esperança) para ir até a região de Guaianases e afirma que os veículos continuam cheios. "Algumas linhas até passam mais vezes, mas não atende a população", afirma. No trajeto de Luana, os ônibus ficaram mais vazios apenas no início da quarentena, entre o fim de março e início de abril. Para ela, a readequação é ruim. "Não faz sentido reduzir os ônibus quando a população tem vindo cada vez mais para as ruas", comenta. O frentista Hadamés Sales da Silva, 23, também sai da Cidade Tiradentes às 6h com destino a região da Mooca, ainda na zona leste. Ele conta que a fila para pegar a linha 4313-10 ( Cidade Tiradentes /Pq. D. Pedro 2º) estava maior do que o habitual e o veículo lotou no decorrer do caminho. Além disso, Hadamés afirma que o intervalo entre os ônibus demorou mais, passando de cinco minutos para cerca de 15. Para ele, a redução não tem como dar certo "pois as pessoas estão indo trabalhar mais e os ônibus diminuindo", afirma.