Polícia procura possível assassino em série de homens gays em Curitiba

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

17/05/2021 16h35 — em Variedades

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - A polícia do Paraná divulgou neste domingo (16) fotos de José Tiago Correia Soroka, 33, suspeito de ter matado ao menos três homens gays, dois em Curitiba e um em Abelardo Luz, no estado de Santa Catarina, no prazo de um mês. Ele ainda teria tentado matar outro homem, na última terça-feira (11), na capital paranaense.

O delegado Thiago Nóbrega, da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que Soroka é considerado um assassino em série e tem perfil de psicopata. Já foram expedidos mandados de prisão do suspeito pelos crimes.

De acordo com as investigações, Soroka marcava encontros com os homens em aplicativos de relacionamento usando fotos e nomes falsos. Após ter acesso à casa da vítima, ele a rendia e a asfixiava. Os corpos foram encontrados cobertos com travesseiros ou cobertores e estavam com as mãos amarradas. Depois, ele ainda roubava itens dos homens.

"Provavelmente estamos em busca de um serial killer tendo em vista que ele age do mesmo modo há 30 dias, cometendo um assassinato por semana de homossexuais, que ocorrem após marcar encontro por aplicativo de relacionamento", afirmou a delegada Camila Ceconello.

A primeira vítima teria sido o professor universitário Robson Paim, 36. Ele foi encontrado morto por familiares dentro de casa em Abelardo Luz, no dia 17 de abril. O carro dele foi localizado na mesma noite em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba.

Em 27 de abril, o suspeito também teria matado o enfermeiro David Levisio, 28. Ele morava em Curitiba havia poucos meses. O corpo dele foi encontrado por amigos em seu apartamento, no bairro Lindoia, após três dias desaparecido. Segundo o delegado Victor Menezes, ele estava de bruços, com as mãos amarradas e um travesseiro no rosto.

Já Marcos Vinício Bozzana da Fonseca, 25, foi morto no dia 4 de maio. Ele era de Campo Grande (MS) e cursava medicina em Curitiba. Amigos também estranharam seu desaparecimento e chamaram a polícia. O corpo estava coberto com uma manta e apresentava sinais de decomposição. Marcos morava a cerca de dois quilômetros de David.

Além de outras provas coletadas, como imagens de câmeras de segurança, a polícia chegou ao suspeito a partir de uma quarta vítima que conseguiu resistir ao ataque do suspeito após também recebê-lo em casa, em Curitiba, na terça-feira. Ele teve alguns bens roubados.

Diante dos assassinatos em série, os investigadores pediram ajuda da população para encontrar o suspeito e alertaram para possíveis novos ataques.

"Receber a pessoa no próprio lar transmite uma sensação de segurança para a vítima, mas é justamente esse ponto que é explorado pelas pessoas que tem esse tipo de perfil. Então, se vai receber a pessoa, se não a conhece, marcou encontro por aplicativo, certifique-se de todas as maneiras para identificar a real identidade delas", alertou o delegado Claudio Marques.

A Aliança Nacional LGBTI+ também acompanha as investigações e ressaltou as características de crime de homofobia. Na segunda-feira passada (10), o grupo lançou um manual para evitar casos de violência LGBTIfóbica. Entre as 11 dicas, o grupo aconselha que se evitem encontros marcados por aplicativos que não exigem autenticação dos usuários.

Junto com as fotos, a polícia também divulgou vídeos de câmeras de segurança que mostram o suspeito entrando ou saindo dos prédios em que moravam as vítimas.

Denúncias anônimas podem ser feitas por meio dos telefones 181, 197 ou 0800 643 1121.


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