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Polícia abre investigação contra coaches de pegação por suspeita de exploração sexual

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O grupo de americanos do chamado Millionaire Social Circle que veio ao Brasil por meio do curso de como "pegar mulheres" é investigado pelo 34º DP, localizado no Morumbi, zona oeste de São Paulo.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirma que a ocorrência foi registrada como favorecimento de prostituição ou "outra forma de exploração sexual e agenciar, aliciar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher exploração sexual".

Segundo a pasta, o caso foi registrado nesta quarta-feira (15), pela Delegacia Eletrônica, por uma vítima de 27 anos que conheceu um homem, ainda não identificado, por um aplicativo de relacionamentos e que ele a convidou para uma festa.

"No local, havia homens estrangeiros que tiraram fotos e vídeos dela para promover um curso sobre relacionamentos. Os fatos ocorreram no último dia 26", relata a pasta.

A festa em questão aconteceu em uma casa no Morumbi. No convite, os convidados precisaram preencher um formulário e foram avisados que o evento não se tratava de uma festa relacionada a prostituição ou tráfico de drogas. A festa que contou com drinques, churrasco e DJ foi realizada pelos integrantes do curso do Millionaire Social Circle.

Ao menos duas mulheres que estiveram na festa e foram entrevistadas pela Folha sob condição de anonimato afirmam que não sabiam da existência do curso e que, por isso, se sentiram enganadas.

Uma delas chegou a gravar um vídeo no TikTok, mas após receber críticas e ter a conta suspensa por denúncias anônimas, preferiu deletar o relato. Ela ficou preocupada se teria a imagem dela vinculada ao curso, uma vez que havia uma equipe filmando e fotografando todos os presentes. Porém, ela recebeu previamente o material de divulgação do evento em que ela não aparecia.

OUTRO LADO

Após a repercussão do caso nas redes sociais, os integrantes do Millionaire Social Circle gravaram uma live em que afirmam que foram vítimas da cultura do cancelamento no Brasil e que foram acusados falsamente de turismo sexual e tráfico humano e de promover prostituição.

"Essas feministas são tão estúpidas", diz Mike, para quem as mulheres que revelaram o caso não estão "fazendo nada da vida" e "não são pessoas ocupadas". "Nenhuma delas está na faculdade de medicina."

Em outro momento, afirma que uma das mulheres que foi à festa e gravou um vídeo sobre o evento é uma "garota feia e gorda". "As mulheres atraentes nos defenderam. Nos vídeos da festa, todos estão sorrindo."

À Folha de S.Paulo o grupo nega que a festa tenha ligação com o curso e afirma que estiveram em São Paulo para realizar uma "conferência de namoro". "Nós queremos que as pessoas saibam o que nós fazemos. Tudo é público."

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