SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O policial militar da reserva Roberto Carlos de Oliveira ajudou Marcos Yuri Amorim a matar a namorada dele, a estudante da Unesp Carmen de Oliveira Alves, com extrema violência. A afirmação consta na denúncia apresentada pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) à Justiça nesta segunda-feira.
Assassinato ocorreu no sítio de Marcos Yuri, segundo o órgão. Ele chegou ao local por volta das 10h45 do dia 12 de junho e se deparou com Carmen.
Marcos teria agredido a estudante, uma mulher trans, até ela desmaiar e cair no chão. Roberto Carlos chegou pouco depois e ajudou o amante a cometer o crime, de acordo com a denúncia.
PM prestou auxílio moral e material mútuos, escreveu a promotora Laís Deguti. "Os denunciados concorreram para a morte de Carmen, mediante atos de extrema violência contra a vítima, que deram causa à sua morte".
Namorado da aluna desligou internet do sítio para encobrir rastros do crime, segundo a denúncia. Já Roberto deixou o celular em casa antes de ir para o sítio.
Corpo de Carmen teria sido colocado em uma lona e levado até à caminhonete do PM. Aluna foi deixada em direção a um rio com uma barra de ferro utilizada no crime e a bicicleta da vítima, de acordo com o MP-SP.
Marcos apagou uma pasta no celular da estudante intitulada "Yuri Trambiques". Depois, os dois teriam destruído o celular de Marcos e da aluna e jogado os restos em um acostamento.
PARTICIPAÇÃO DE TERCEIRO ACUSADO
Paulo Henrique Messa, terceiro denunciado pelo MP-SP, teria ajudado a descartar o corpo da vítima. Com Marcos, ele colocou Carmen em um barco em que os dois estavam e desapareceu com a vítima. Ela não foi encontrada até hoje.
Mais tarde, Roberto voltou ao sítio e ajudou o amante a limpar a cena do crime, segundo a denúncia. Promotora também cita conversas trocadas entre os suspeitos.
Dois dias após o crime, Paulo orientou uma pessoa da confiança dele e de Marcos a mandar o namorado da vítima apagar mensagens. "Falei, mano, pega o seu celular e quebra seu celular, joga fora, não deixa nada no seu celular, nada, nada, nada, nada como prova, entendeu? E eu falei mano, apaga todos os tipos de conversa minha, com a sua mãe, com a Lara, com todo mundo que você falou que você ia matar essa Carmen, você apaga, pelo amor de Deus, não deixa nada no seu celular (sic)", diz uma das conversas.
DENÚNCIA DO MP-SP
O MP-SP denunciou na segunda-feira três homens pela morte de Carmen de Oliveira Alves, no município de Ilha Solteira. Marcos Yuri Amorim e o PM da reserva Roberto Carlos de Oliveira foram acusados de feminicídio e outros crimes para garantir impunidade.
Além disso, eles são acusados de ocultação de cadáver e fraude processual. Paulo Henrique Messa pode responder pelos últimos dois crimes.
A promotora Laís Deguti pediu à Justiça a manutenção das prisões preventivas de Marcos e Roberto. Ela também solicitou a prisão preventiva do terceiro acusado.
A reportagem tenta localizar as defesas dos acusados. O espaço está aberto para manifestação.
CORPO NÃO FOI LOCALIZADO
Carmen está desaparecida desde 12 de junho. Desde então, a polícia já fez diversas buscas na cidade de Ilha Solteira, onde o crime ocorreu, inclusive com a ajuda da Marinha do Brasil. Até o momento, nenhum sinal do corpo da jovem foi identificado.
Apesar de não localizar o corpo, polícia trata caso como feminicídio. Os principais suspeitos pelo crime são Marcos Yuri, namorado da vítima, e o policial militar Roberto Carlos de Oliveira, que era amante de Yuri.
Marcos Yuri confessou o crime e apontou Roberto Carlos como comparsa. Em depoimento, ele admitiu que matou Carmen após uma briga na casa dele. O suspeito relatou que recebeu ajuda de Roberto para executar o crime e que o PM foi o responsável por ocultar o corpo da vítima. Por isso, Yuri afirma não saber onde estão os restos mortais da namorada.
Em agosto, a defesa de Roberto Carlos disse que ele é inocente. O militar admitiu saber da morte de Carmen, mas culpou Yuri por todo o crime.
CINCO FORAM INDICIADOS
No mês passado, a Polícia Civil indiciou cinco pessoas por participação direta e indireta no crime. Veja quem são:
- Marcos Yuri Amorim, namorado de Carmen. Vai responder por feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e supressão de documentos;
- Roberto Carlos de Oliveira, PM da reserva e amante de Yuri. Também vai responder por feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual, supressão de documentos, omissão de socorro e falso testemunho;
- Wellington Fernando Ramires Adorno, amigo de Yuri. Vai responder por favorecimento pessoal, supressão de documentos e fraude processual;
- Paulo Henrique Messa, vizinho de Yuri. Indiciado por ocultação de cadáver, falso testemunho e favorecimento pessoal;
- Estéfani Pereira Guimarães, ex-namorada de Yuri. Indiciada por falso testemunhoMarcos Yuri e Roberto Carlos estão presos desde o dia 10 de julho.
Os outros três indiciados respondem pelas acusações em liberdade.


