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À PF, diretoria da Vale diz que desconhecia riscos em barragem

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BRASÍLIA, DF, E RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Em depoimentos à Polícia Federal nos últimos dias, o presidente afastado da Vale, Fábio Schvartsman, e o ex-diretor Peter Poppinga disseram que desconheciam riscos na barragem de Brumadinho.

Os dois foram ouvidos em inquérito sobre o rompimento do reservatório, que matou ao menos 203 pessoas -há ainda 105 desaparecidos.

Poppinga disse que teria demitido funcionários se soubesse dos fatos apurados na investigação e Schvartsman afirmou que a Vale deve ser punida se comprovada a culpa no ocorrido.

Os dois entregaram seus passaportes à PF, apesar de não ter havido decisão judicial para a entrega. O inquérito deve ser finalizado nos próximos dias.

Na oitiva, Poppinga afirmou que desconhecia questões detalhadas da barragem, mas que, se soubesse dos fatos que estão na investigação e de pressão nas empresas que fazem auditoria, teria demitido os funcionários e teria evacuado o local.

A força-tarefa que investiga o caso diz que os responsáveis pela segurança pressionaram a empresa alemã Tüv Süd a atestar a estabilidade da barragem.

Antes, segundo as investigações, teriam dispensado a belga Tractebel, que se recusara a emitir a declaração que certifica a segurança da estrutura.

Poppinga era diretor da área de Ferrosos, sob a qual está a mina de Brumadinho. Ele é também réu no inquérito que investiga o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, em 2015 --o executivo ocupava vaga no conselho de administração da empresa.

Já Schvartsman disse a investigadores que não sabia de nada sobre a segurança da barragem. Ele e Poppinga se afastaram da gestão da empresa no início de março, atendendo a recomendação da força-tarefa.

O presidente afastado afirmou que teria evacuado imediatamente o local se tivesse sido orientado dos riscos. Grande parte das vítimas estava em instalações da empresa próximas à barragem.

Schvartsman disse também que foi infeliz a frase que disse na Câmara dos Deputados, em 14 de fevereiro, de que a Vale é uma joia brasileira e que não deveria ser condenada. A declaração foi dada em comissão externa da Câmara, em Brasília.

Agora, disse que deve haver responsabilização da empresa cível e criminalmente se comprovada a culpa, assim como no caso de técnicos e funcionários que tenham agido ou deixado de agir para evitar a tragédia.

Procurada, a Vale não se manifestou. A PF também não.

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