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Petistas pedem que vereador suspeito de elo com PCC deixe liderança da bancada

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Reunidos na tarde desta terça-feira (14), petistas recomendaram que o vereador Senival Moura se licencie da liderança da bancada do PT na Câmara Municipal de São Paulo, até que sejam concluídas investigações sobre suposto envolvimento com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Os petistas pediram que Moura se afaste voluntariamente, poupando-o do constrangimento de ser destituído pelos seus pares. A expectativa é que ele anuncie sua resposta ainda nesta semana.

A bancada também informou a ele a decisão de assinar requerimento de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) destinada a apurar a relação de empresas de transportes urbanos com o PCC. Moura é fundador de uma das empresas que podem vir a ser investigadas pela comissão.

Líder da bancada do PT desde fevereiro, ele nega ligação com o PCC, dizendo-se vítima de uma orquestração política para afetar o partido em ano eleitoral.

Na reunião descrita como tensa, vereadores petistas reafirmaram confiança no líder. Mas alegaram que, independentemente de sua inocência, a imagem do PT será afetada caso ele permaneça no cargo durante as investigações.

Ainda segundo relatos, os vereadores Antônio Donato e Alfredinho foram os mais incisivos defensores de seu afastamento. Já Arselino Tatto se manifestou contrariamente à licença.

"Eu confio nele. Conheço há 30 anos. É correto e trabalha muito pelo povo. Não há nenhum motivo para que deixe a liderança do PT", disse Tatto à Folha de S.Paulo.

Arselino Tatto diz ainda que essa é "mais uma ação orquestrada de parte da imprensa com polícia ligada ao governo do estado por causa das eleições". Segundo ele, Moura provará que é inocente.

Durante a reunião, os vereadores argumentaram que Moura poderia comprovar sua inocência no curso das investigações, mas que, neste momento, a associação do inquérito policial ao líder do PT tem arranhado a imagem do partido.

Sobre o endosso à CPI, os vereadores afirmaram que não permitiriam que o autor do requerimento explorasse politicamente o caso às custas do PT.

Em dissonância com dirigentes nacionais do partido que recomendam cautela sobre o caso, o presidente do PT no município de São Paulo, Laércio Ribeiro, fez na sexta-feira (10) uma defesa enfática de Moura. Mas, internamente, petistas têm apelado para que a imagem do partido seja preservada.

De acordo com a Polícia Civil, integrantes do PCC detêm de 30% a 40% da frota da companhia de ônibus Transunião, que foi alvo de operação na última quinta (9) por suspeita de lavar dinheiro para a facção. Moura é um dos fundadores da empresa e, segundo a investigação, dono de pelo menos 13 ônibus.

O vereador afirma que desde fevereiro de 2020 não faz mais parte do quadro de sócios. Para os agentes, porém, ele teve que entregar os veículos para a facção depois que criminosos descobriram um suposto desvio de dinheiro na empresa.

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