SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Passageiros que tinham passagens de ônibus para o Rio de Janeiro e destinos no sul do país passaram a noite na rodoviária do Tietê, na zona norte de São Paulo, à espera da liberação das rodovias ocupadas por manifestantes desde a tarde desta segunda-feira (31).
De acordo com a Socicam, concessionária da rodoviária, continuam suspensas as vendas das passagens e as partidas para as cidades do Rio de Janeiro, Florianópolis e Curitiba. Não há previsão de normalização.
Alguns ônibus que partiram da rodoviária na segunda retornaram para a rodoviária depois de passarem horas parados, segundo a Socicam.
Sentado sobre um pedaço de papelão emprestado de outro passageiro, o autônomo Francielio Luiz da Silva, 26, aguardava há mais de 24 horas a remarcação de sua passagem para a capital fluminense. A família usou uma estrutura de decoração de Natal da rodoviária para servir de abrigo.
"Somos da Paraíba e viemos a procura de trabalho, mas como está difícil encontrar vamos para o Rio ficar com meu cunhado", disse ao lado da mulher grávida e da filha de 7 anos. "[Os protestos] estão prejudicando o pobre brasileiro, a família dos outros e não o [presidente recém-eleito] Lula", continuou.
O comerciante Marlon Stifter, 41, conseguiu embarcar para o Rio no começo da tarde desta terça após espera de quase 24 horas. Diante da interdição da rodovia Dutra, a empresa informou que a viagem seria realizada por um trajeto alternativo pela rodovia Rio-Santos com previsão de três horas a mais de percurso.
O passageiro mora em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e viajou para a capital paulista onde embarcaria para o Rio para um compromisso de trabalho. Parou no meio do caminho. "Não dava nem para voltar. Passei a noite acordado no chão da rodoviária", disse.
Eleitor do presidente Jair Bolsonaro (PL), o comerciante se diz a favor dos protestos. "Podiam ter feito algo antes [das eleições] também", diz.
Em nota, o Grupo JCA, que reúne as viações Cometa, 1001, Catarinense e Expresso do Sul, informou que parte da operação foi afetada pelas manifestações nas rodovias, mas não informou o número de viagens canceladas. "Passageiros com bilhetes para datas entre 31/10 e 06/11 podem remarcar suas viagens nas rodoviárias sem a cobrança de taxas ou multa", diz trecho da nota.



