RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Destino turístico que, antes da pandemia, chegou a atrair 3 milhões de turistas num ano, Olímpia (a 438 km de São Paulo) reabriu seus parques aquáticos em meio a uma onda de calor que chegou a 40ºC, com o desafio de manter o distanciamento em suas dezenas de piscinas e, com isso, evitar a propagação do novo coronavírus. Com atividades reduzidas, os parques aquáticos da cidade e de Barretos (a 423 km de São Paulo), com águas termais, reabriram na última quinta (1º) adotando medidas como entrada única para piscinas, redução de ocupantes em toboáguas, check-in com reconhecimento facial e veto a saunas, quadras esportivas e atividades de recreação. Especialistas afirmam que, apesar de a água clorada não permitir a disseminação do vírus, a utilização de piscinas deve seguir as recomendações básicas de outras atividades, como não permitir aglomerações, para reduzir o contato entre pessoas e assim evitar a contaminação pela Covid-19. Os parques afirmam que não há risco de transmissão na água e que as medidas para conter agrupamentos estão sendo tomadas. Parque aquático mais visitado do país, o Thermas dos Laranjais foi reaberto com festa na última quinta-feira e tem permissão para atender 8.000 visitantes por dia, o que representa 40% de sua capacidade, de 20 mil turistas. Para dar suporte às questões sanitárias, contratou um infectologista e implantou em suas piscinas uma única entrada e saída, a fim de controlar o fluxo de banhistas. Nos toboáguas, reduziu a ocupação das boias: nas de dois lugares, só uma pessoa poderá brincar. Nas de quatro, o limite agora é duas pessoas. Suas saunas e quadras esportivas seguirão fechadas por tempo indeterminado. "Não existe o risco [de transmissão na água]. Além de ter o cloro, trabalhamos com unidades de contagem e proporções da OMS e de parques aquáticos internacionais, o PH é controlado, assim como a temperatura", afirmou Marcos Bittencourt, gerente de marketing do complexo turístico Hot Beach. Ao limitar o total de pessoas no parque, de acordo com ele, naturalmente serão evitadas aglomerações. Com 23 mil leitos em sua rede hoteleira --a cidade tem 55 mil habitantes--, Olímpia aposta na retomada, principalmente com turistas paulistanos ou da Grande São Paulo, que são 56% dos visitantes, segundo dados da prefeitura. "Por ser um turismo regional, em que o visitante pega o carro e viaja, a expectativa é muito positiva. São locais totalmente abertos, arejados", disse Rafael Almeida, CEO do Grupo Natos, que opera na cidade o Enjoy Olímpia Park Resort, com 912 apartamentos. No Hot Beach, com capacidade para 8.000 pessoas, mas liberado para 3.200, medidas como o check-in com reconhecimento facial no resort e controle digital do fluxo de visitantes permitirão manter o distanciamento, disse ele. "Como as vendas são só online, não teremos ingresso físico, conseguimos ter esse controle mais facilmente." A procura nos três resorts de Olímpia que pertencem ao grupo está no limite para o feriado de 12 de outubro. O Hot Beach manteve atrações musicais nas piscinas, mas diminuiu os grupos infantis nas recreações. Na cidade, os resorts estão liberados para ocupar até 75% de seus leitos. Em alguns deles, sete em cada dez já estão reservados por turistas, o que ajudará a recuperar os seis meses de inatividade. "Perdemos os dois ou três últimos anos de crescimento e levaremos mais dois ou três anos para voltar ao patamar que estávamos antes da pandemia. É um prejuízo gigantesco", disse Almeida. Hoje, o turismo representa 65% da economia de Olímpia. "É o início de uma nova fase e vamos ter de tomar cuidado com a questão da disseminação do vírus, aprender o que a gente sempre fez, mas agora de uma forma diferente." Um grupo de trabalho foi criado com a prefeitura para cuidar da divulgação do destino turístico e ver o que melhorar para o pós-pandemia. Além dos parques de Olímpia, também foi reaberto na quinta-feira o Barretos Country Thermas Park, com limitações de atividades e regras como o tratamento da água com cloro e ozônio. O parque de Barretos, com capacidade para 3.000 banhistas, tem 10 piscinas e 11 toboáguas, mas está operando com no máximo 1.200 pessoas e sem atrações como arvorismo e brincadeiras que possam gerar aglomerações. O restaurante também deixou o local habitual e foi transferido para um centro de eventos anexo ao resort, em área ampla. A pista do self-service deixou de ser usada. "Fechamos algumas atividades, como o Ice Bar, já que estudos dizem que o gelo transmite muito mais rapidamente [o vírus], e o arvorismo, já que também fica difícil a higienização entre um cliente e outro", disse o gerente geral do parque, Adriano Santos. O resort anexo já operava desde agosto, mas o parque ainda não estava liberado para receber o público. A procura está alta para os próximos meses, segundo ele. "Na água, a preocupação é menor, devido aos produtos, e os guarda-vidas e monitores também ficam com apitos orientando o distanciamento. Mas os próprios clientes estão conscientes. Temos percebido isso." As atividades recreativas que geravam aglomerações foram retiradas da programação e deram lugar a atrações para serem desenvolvidas entre os próprios membros das famílias que visitam o parque.



