SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um desenho de um orixá feito por uma criança em uma sala de aula, em São Paulo, levou policiais a entrarem armados em uma escola. Entenda o que são essas divindades das religiões de matriz africana.
Orixás são divindades de origem africana, presentes nas religiões afro-brasileiras. Eles fazem parte de religiões que chegaram ao Brasil com povos escravizados. Cada orixá tem características próprias, simbolismos, histórias e rituais específicos.
Iemanjá é uma das figuras mais conhecidas entre os orixás. Em Salvador, a "rainha das águas" recebe homenagem anual no dia 2 de fevereiro, quando pescadores levam flores e presentes ao mar.
Orixás representam forças da natureza e têm atributos humanos. Eles se relacionam a elementos como água, fogo, terra e ar. Nas narrativas, sentem amor, tristeza, raiva ou alegria, aproximando-se do universo emocional dos humanos.
O culto aos orixás envolve oferendas, rituais e o jogo de búzios. Cada orixá tem saudações próprias e práticas rituais específicas.
A cultura brasileira incorporou os orixás além dos terreiros. Eles circulam no Carnaval, na música, no cinema, nas artes visuais, na moda e na gastronomia. Estão presentes em festas populares e expressões culturais diversas.
Religiões afro-brasileiras sofreram repressão ao longo da história. Por estarem vinculadas a negros e pessoas pobres, foram perseguidas e proibidas. Para sobreviver, muitos fiéis recorreram ao sincretismo, associando orixás a santos católicos -Oxóssi a São Jorge, Ogum a Santo Antônio e Iansã a Santa Bárbara.
IANSÃ, ORIXÁ DOS VENTOS E TEMPESTADES
A criança desenhou Iansã, orixá ligada aos ventos e tempestades. Iansã é representada como uma guerreira e tem a espada como símbolo. Coral, vermelho e rosa são as cores associadas a ela.
A figura de Iansã é frequentemente vinculada a Santa Bárbara no sincretismo. A orixá está ligada a sentimentos fortes e movimentos de mudança. Nas histórias, sua presença marca momentos de ruptura e energia.
Maria Bethânia é uma das devotas mais conhecidas de Iansã. Iniciada no candomblé nos anos 1980, a cantora se identifica como filha da orixá. Ela já gravou diversas músicas dedicadas à divindade.

