BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - Em todos os fins de tarde nas COPs, as conferências climáticas da ONU, é possível ouvir a música-tema dos filmes "Jurassic Park". Ao redor da fonte de som encontra-se um pequeno aglomerado de gente, uma pessoa vestida de esqueleto de dinossauro inflável e outra com fantasia de esqueleto humano.
É a premiação irônica Fóssil do Dia.
O anti prêmio, obra da CAN (Climate Action Network-International), uma rede com mais de mil ONGs espalhadas pelo mundo, coloca no pódio literalmente, alguém representando o país sobe em um pódio países que estão fazendo o máximo para conseguir o mínimo no combate às mudanças climáticas, segundo a própria organização.
A ação satírica diária serve de alívio cômico e momento mais leve em meio a uma conferência essencialmente técnica, densa e lotada de engravatados andando apressados para cima e para baixo.
Mas o mote e os objetivos do antiprêmio são sérios. Afinal, a partir do prêmio é possível ter um vislumbre que como andam as negociações, quais posições defendem os países e expor à luz do dia quem está travando conversas que poderiam fazer evoluir discussões para um futuro climático decente.
"Expor" é a palavra porque as negociações são fechadas à imprensa, mas membros de ONGs, além dos negociadores, podem estar presentes nas salas em que cada item dos acordos é tratado. São discussões extremamente técnicas, que necessitam de olhos e ouvidos bem treinados e conhecimento no tema.
A CAN, dessa forma, acompanha de perto as negociações e, além da ação satírica, organiza entrevistas coletivas para mostrar como andam as negociações durante as COPs.
A tradição do Fóssil do Dia começou em 1999, em Bonn, na Alemanha. E o Brasil é um dos países bastante lembrados na premiação nos últimos anos. Na comemoração dos cinco anos do Acordo de Paris, em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), houve uma edição especial do prêmio, levando em conta o conjunto da obra dos países até ali. E o Brasil recebeu dois Fósseis, um por não proteger as pessoas de impactos climáticos e outro pelo encolhimento dos espaços públicos de discussão.
O mais recente prêmio brasileiro foi em 2023, quando, no primeiro dia da COP28, houve o anúncio brasileiro do governo Lula (PT) da intenção de adesão ao cartel petroleiro Opep+.
O Fóssil do Dia é só uma parte do prêmio, porém. Há um prêmio maior ao fim das COPs: o Fóssil Colossal, que vai para o conjunto da obra de algum país durante a conferência.
Bem mais raramente, a CAN ainda dá o chamado Ray of the Day algo como o Raio do Dia, que, dessa vez sem ironia, premia boas ações de países. Na COP30, em Belém, no Brasil, o primeiro dia de prêmio trouxe essa surpresa. Um Ray of the Day para G77 e China, "por iluminar o caminho para uma transição justa".

