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'O mundo não está livre de infecções virais', diz diretor médico da OMS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Apesar de ter declarado o fim de duas emergências sanitárias de importância global, a da Covid-19 e a da mpox, o mundo não está livre de infecções virais de importância sanitária, como a pólio.

Esta foi a afirmação feita pelo diretor executivo do programa de Emergências em Saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, em uma entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (11). A entidade declarou o fim da emergência em saúde da mpox seis dias após fazer o mesmo anúncio para a pandemia do coronavírus.

"O mundo ainda está cheio de infecções virais de importância global e uma delas é a poliomielite. Enquanto houver casos em que o poliovírus selvagem existe no mundo, não podemos considerar que há o fim da emergência global de saúde da poliomielite", disse.

O médico reforçou que as quedas nas coberturas vacinais em todo o mundo apresentam um alerta para o retorno da doença da infância, que foi responsável por milhões de mortes e outras sequelas em crianças no passado. "Nós tivemos um surto de importância global em 2013 na Síria de poliomielite e desde então não foi declarado o fim do estado de alerta. Precisamos trabalhar muito arduamente para erradicar a poliomielite", afirmou.

Além de poliomielite, Ryan também chamou a atenção para o retorno do sarampo como uma doença de preocupação. "Quem trabalha com imunização sabe dos surtos de sarampo que apareceram em todo o mundo recentemente. Além disso, temos outras 56 doenças que são de importância para o monitoramento de emergências sanitárias globais. Então, não, o mundo não está livre ainda de doenças que podem levar a um quadro de emergência de saúde de importância internacional", disse.

Em todo o mundo, as baixas coberturas vacinais preocupam pelo risco de trazer de volta doenças consideradas controladas ou eliminadas no passado. Segundo um levantamento do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância e Educação), 48 milhões de crianças deixaram de receber os imunizantes necessários entre 2019 e 2021, período que inclui os dois primeiros anos da pandemia. Considerando aqueles que fizeram a primeira imunização mas não receberam os reforços necessários para garantir a proteção, esse número vai a 67 milhões.

No Brasil, são cerca de 1,6 milhão de crianças com atraso vacinal, de acordo com o mesmo estudo. As coberturas vacinais registradas em 2022 foram as menores desde 2015, com algumas das vacinas ficando abaixo da marca de 70%. No caso da poliomielite, a taxa está atualmente em 72% para a vacina oral e 64% para o primeiro e segundo reforços, com o vírus inativado, segundo dados da plataforma SI-PNI do Ministério da Saúde.

FIM DA EMERGÊNCIA SANITÁRIA DA COVID

Na última sexta (5), a OMS declarou o fim da emergência sanitária global da pandemia da Covid-19. Segundo o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom, isso não significa que os esforços para o combate à doença acabaram. "É preciso fortalecer as ações de monitoramento e as estratégias de resposta às infecções", disse.

Nesta quinta-feira (11), os Estados Unidos declararam também o fim da emergência da Covid no país. A partir desta data, não será mais necessário para entrar no país a apresentação do cartão de vacinação contra o coronavírus.

Após três anos, o mundo já contabilizou mais de 13 milhões de casos e cerca de 7 milhões de óbitos pela Covid. Nos EUA, 1º colocado no ranking mundial de mortes, foram mais de 1,125 milhão de mortes, seguido pelo Brasil, com 701.833 mortes até a última terça-feira (9).

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