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Nova série é a mais convincente reconstrução da Era dos Dinossauros

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

16/05/2022 21h07 — em
Variedades



SÃO CARLOS, SP (FOLHAPRESS) - Quem se recusa a levar a sério a ideia de que os dinossauros tinham o corpo coberto de penas provavelmente vai deixar esse preconceito de lado diante de "Planeta Pré-Histórico". A série de documentários do serviço de streaming Apple TV+, que estreia no dia 23 de maio, é a mais convincente reconstrução artística da Era dos Dinossauros feita até hoje, retratando a biodiversidade do planeta há 66 milhões de anos, no fim do período Cretáceo.

Tal como as imagens que aparecem em cada episódio, os bastidores do programa também são um encontro de gigantes. A narração original é de sir David Attenborough, 96, cuja voz possante e senso de humor ao lado de bichos de carne e osso se tornaram sinônimo dos documentários de vida selvagem britânicos nas últimas décadas. Um dos coordenadores da produção é Mike Gunton, chefe dos programas de história natural da BBC.

O parceiro de Gunton na empreitada, por outro lado, é mais conhecido hoje por suas participações nos filmes da Marvel, como diretor e no papel de Happy Hogan, braço direito de Tony Stark/Homem de Ferro. Mas o americano Jon Favreau também dirigiu as novas versões de "Mogli: O Menino Lobo" e "O Rei Leão", nas quais encarnações computadorizadas de animais selvagens ganharam realismo. "O que nós fizemos foi juntar o que eu aprendi fazendo esses filmes de ‘live action’ da Disney com a tremenda experiência da BBC em seus documentários sobre vida selvagem", explicou Favreau em entrevista coletiva por videoconferência.

De fato, a fórmula dos episódios vai parecer familiar para qualquer pessoa que já tenha assistido às cenas grandiosas da savana africana ou da Antártida narradas por Attenborough. Os dramas de "Planeta Pré-Histórico" são os mesmos que um leão ou um pinguim enfrentam: como achar um parceiro, cuidar da cria, encontrar comida ou escapar de um predador faminto.

"Em tese, quando você está criando a cena com tecnologia, dá para mostrar os animais do ângulo e do jeito que você quiser, mas não é isso o que acontece num documentário de vida selvagem, justamente por causa do comportamento dos animais e do ambiente onde estamos", explica Tim Walker, chefe dos roteiristas da série. "Fizemos questão de ter essas mesmas restrições —você nunca vai ver algo que seria impossível de filmar na vida real."

A sensação de que as peripécias envolvendo filhotes de Tyrannosaurus rex ou pterossauros (répteis voadores) poderiam muito bem ter sido filmadas por um viajante do tempo que desembarcou no Cretáceo é reforçada pelo uso de cenários reais em diferentes partes do mundo, aos quais foram sobrepostas as imagens das espécies extintas. Aproveitando essa decisão, cada episódio enfoca um ambiente distinto, como zonas costeiras, desertos, florestas e regiões geladas (sim, os dinossauros também habitavam o Ártico, graças ao provável sangue quente e à proteção térmica proporcionada pela cobertura de penas).

Os dados e hipóteses mais recentes sobre a anatomia e o comportamento das espécies extintas foram incorporados pela série, em grande parte graças à colaboração com o paleontólogo e escritor britânico Darren Naish. "Podemos dizer que, no geral, fomos conservadores na hora de retratar a maioria das espécies. É bem provável que os verdadeiros animais do Cretáceo fossem ainda mais espalhafatosos do que aquilo que vocês vão ver na TV", resume ele.

Apesar dessa diretriz geral, Naish admite que, em alguns casos, a equipe se sentiu autorizada a propor reconstruções mais imaginativas. "Para mim o caso mais interessante é o do saurópode [dinossauro herbívoro de pescoço longo] Dreadnoughtus, da Argentina", destaca ele.

"Sabemos que os saurópodes possuíam ossos extremamente pneumáticos [ocos], que poderiam abrigar sacos de ar, como acontece com as aves. Imaginamos, então, que os machos de Dreadnoughtus poderiam inflar sacos coloridos no seu pescoço durante disputas por fêmeas, como forma de se exibir para elas e seus rivais", explica Naish. O resultado lembra um pouco o papo inflável e colorido de certas aves modernas, como as fragatas.

Estão programados cinco episódios, com estreias diárias entre 23 e 27 de maio. "É só o começo", disse Favreau, sem especificar se novas temporadas estão nos planos da equipe.



O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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