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No dia de Finados, famílias homenageiam vítimas da Covid em São Paulo

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Familiares de pessoas que faleceram em decorrência da Covid-19 prestaram homenagens a seus parentes nesta terça-feira (2), dia de Finados, no Cemitério Vila Formosa. O espaço na zona leste de São Paulo foi um dos que mais receberam vítimas da pandemia.

Genisvaldo Gomes da Silva, 62, e os filhos estavam entre os visitantes. O piauiense trabalhou como agricultor, ajudante geral e motorista de caminhão. Com a última profissão, poderia ter conhecido o Brasil, mas evitava viagens longas porque não gostava de se afastar da esposa, Nair Alves de Souza da Silva. "Ela tinha diabetes e eu ficava preocupado com sua saúde", afirmou.

Nair evitava ao máximo expor-se por medo da Covid-19 e só saía de casa para ir a consultas médicas. Mesmo assim, ela e o marido contraíram a doença em março de 2021 e foram internados em setores separados do Hospital Geral de Guaianeses, na zona leste. "Não havia vacina disponível", lembrou Genisvaldo.

"Ainda tenho os áudios dela no hospital", disse a filha do casal, Neurisvane, 39. Nos arquivos do WhatsApp, Nair afirmava estar na observação, com fome e que não queria ser intubada. Após os primeiros dias no hospital, porém, os médicos disseram que o procedimento seria necessário.

No sexto dia de internação, ela morreu, e Genisvaldo recebeu alta médica. "Deixamos meu pai em casa e viemos enterrar minha mãe", lembrou Cremilson, 36.

"Eu consegui voltar e ela não", afirmou Genisvaldo com lágrimas nos olhos. Foram 41 anos de parceria, entre namoro e casamento, e "a Covid a levou embora".

A família de José Nilton dos Santos também tenta se acostumar à sua ausência. O idoso de 76 anos tinha se recuperado de um câncer na garganta e voltou a ser internado após um AVC (acidente vascular cerebral).

No Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, contraiu pneumonia e foi levado para o isolamento por suspeita de Covid. "Ele foi intubado em um dia e faleceu no outro", relembrou o filho, Cipriano Dias, 32.

Por causa da suspeita da doença, ele, a mãe e as irmãs não puderam ter contato com José Nilton em seus últimos dias e foram privados das cerimônias que costumam compor o luto em nossa sociedade.

Filha mais velha de José Nilton e Maria Senhora, a vendedora Adriana Dias, 37, disse que a ausência de despedida tornou o processo mais difícil e a família tem buscado conforto na filosofia espírita, a qual era seguida também pelo pai. "A religião tem nos dado mais conforto. Pelo espiritismo é uma passagem."

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, o SFMSP (Serviço Funerário do Município) esperava a visita de cerca de 1,5 milhão de pessoas nos 22 cemitérios sob sua administração, mas devido ao frio e à instabilidade do tempo, o balanço às 15h apontava a circulação de cerca de 1 milhão de pessoas pelas necrópoles desde o fim de semana.

"Mesmo com o movimento acentuado, todos os munícipes puderam prestar suas homenagens de forma tranquila e segura e contaram com apoio emocional através de atividades religiosas como missas, cultos e outras manifestações nas unidades cemiteriais. Houve distribuição de máscara e oferta de álcool gel para os cidadãos que desejaram", disse em nota.

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