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'Não tinha consciência se era disparo ou pedra', diz PM baleado em Paraisópolis

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Baleado no pescoço quando tentava realizar a prisão de um suspeito de roubo na favela de Paraisópolis no último dia 7, o cabo Johannes Kennedy Santana Lino afirmou em entrevista à TV Globo, nesta terça (12), que não sabia se havia levado um tiro ou uma pedrada.

Ele contou que enquanto tentava imobilizar o suspeito, moradores do local ficavam atirando pedras contra ele, enquanto um outro homem ficava puxando para soltar o criminoso.

"Quando o disparo me atingiu, não tinha consciência se era disparo ou pedra, porque estavam jogando várias pedras. Só senti o corpo desabar, e a mão não estava obedecendo. Aí consegui chamar o apoio. A sensação é horrível", lembrou ele.

Em relação ao ferimento, cabo Santana falou que o projétil entrou no lado esquerdo do seu pescoço e atingiu uma vértebra, fraturando-a, e saiu do outro lado. "Agora é repouso somente e medicação. Tratamento em casa. Foi por pouco", falou, afirmando que não tinha visto quando o suspeito pegou uma arma na cintura.

Ele conta que chegou a fazer uma rápida revista no homem quando o imobilizou no chão, mas não conseguiu encontrar a arma. Como o outro homem chegou e ficou pressionando e as pessoas em volta passaram a atirar pedras, ele não conseguiu finalizar a revista. Com isso, o suspeito conseguiu sacar a arma sem ele ver e atirar contra seu pescoço quando teve a chance.

"Se eu soubesse que ele estava armado, conseguiria me defender e não teria sido vitimado como fui. No resgate, eu pensei: 'E agora? Como vai ficar?' Depois de ver que ficou tudo bem, percebi que foi [como] ver a mão de Deus. Deus é maravilhoso e sou muito grato."

O PM também afirmou que faria tudo de novo. "A gente gosta do que faz e faz para ajudar as pessoas."

Na entrevista, o cabo ainda explicou por que estava sozinho na perseguição do suspeito. Ele contou que, no início, a moto do suspeito bateu e derrubou a do seu parceiro de ronda. Assim, apenas ele conseguiu prosseguir.

A Folha de S.Paulo teve acesso à gravação da câmera corporal do policial, que mostra a perseguição e o momento em que levou o tiro no pescoço. Após ser baleado, ele próprio aciona o centro de operações da PM para pedir socorro. "Copom, estou baleado. Manda apoio. Eles roubaram minha arma". Em seguida, ele passou o nome da rua e completou: "Estou perdendo os sentidos, estou sangrando, estou perdendo muito sangue".

Depois de falar isso, uma gota de sangue caiu sobre a tela do celular.

Johannes recebeu alta na sexta-feira (8) do Hospital das Clínicas, para onde foi levado pelo helicóptero Águia após a ação. Ele perdeu muito sangue, mas foi prontamente atendido no hospital e não correu risco de morte.

No dia seguinte, policias do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), da Polícia Civil, prenderam Gabriel dos Santos, que tentou soltar o suspeito durante a abordagem e depois roubou a arma do policial. O autor dos disparos, Kauan Alison dos Santos, 19, continua foragido.

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